Exército ocupa área no Sul do Pará
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terça-feira, 31 de março de 1998
Agência Folha 
O Exército ocupou na madrugada de ontem o Sul do Pará com o objetivo de evitar novos confrontos armados entre trabalhadores rurais sem terra e fazendeiros da região. Em Brasília, o governo federal acertou com o governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), a intervenção militar e da Polícia Federal em Parauapebas, local dos conflitos entre fazendeiros e sem-terra.
Os sem-terra estão promovendo novas invasões a propriedades rurais como retaliação pelo assassinato, na semana passada, de dois de seus líderes. A presença do Exército é para acalmar os ânimos e para que os conflitos entre fazendeiros e sem-terra sejam resolvidos pela negociação e dentro da lei, afirmou o comandante 23ª Brigada de Infantaria da Selva de Marabá (PA), general Edson Sá Rocha.
O general conta que enviou duas companhias, cada uma com 150 homens, para a área do conflito. Somos uma força de paz. Ocupamos posições para a pacificação, como ocorre nos conflitos internacionais, afirmou. O Exército foi acionado na noite de anteontem depois que a Polícia Federal recebeu a informação de que cerca de 50 camionetes teriam transportado dezenas de seguranças armados para a fazenda da família Miranda. A família não quis falar sobre o assunto.
O governo federal convenceu o governador Almir Gabriel a fazer o pedido para evitar uma intervenção formal. Em abril de 96, houve uma intervenção branca no Estado, após o massacre de 19 sem-terra em Eldorado de Carajás, a 130 quilômetros de Parauapebas. Queremos juntar as forças da Polícia Militar e do Exército para evitar o confronto. A gente sabe que os fazendeiros estão se armando e a disposição dos líderes do MST é buscar o confronto, disse Gabriel.
A Polícia Federal também foi acionada para investigar o assassinato de dois líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na fazenda Goiás 2 (Pará), na última quinta-feira, e para capturar os responsáveis pelos crimes. A decisão de envolver a PF na investigação, segundo o ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) foi do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso.


