Islamabad, 15 (AE-AP) - O exército paquistanês lançou uma investigação sobre uma suposta tentativa de exilar ou matar seu comandante, um complô que os militares alegam provocou o golpe de Estado desta semana, informaram hoje (15) jornais.
O exército acusa o deposto primeiro-ministro Nawaz Sharif de ter tentado impedir que um avião comercial levando o general Pervaiz Musharaff aterrissasse no Paquistão no começo da semana.
Musharraf referiu-se ao incidente na quarta-feira quando fez um pronunciamento à nação anunciando que o exército havia assumido o controle do país e afastado Sharif.
Desde então, novos detalhes têm emergido do drama a bordo do vôo da companhia aérea nacional, PIA.
"Em meu caminho de volta, o vôo comercial da PIA não teve permissão para aterrissar em Karachi e recebeu ordens para desviar para qualquer lugar fora do Paquistão, apesar de uma séria escassez de combustível, colocando em risco a vida de todos os passageiros", disse Musharraf. Graças a Deus, afirmou ele, "este plano diabólico foi frustrado pela rápida ação do exército".
Informações de fontes de inteligência e jornais do Paquistão dão conta que o avião tinha combustível suficiente para permanecer apenas mais 10 minutos no ar quando o drama terminou.
Sharif havia emitido ordens na terça-feira demitindo Musharraf do posto de comandante do Exército e nomeando um sucessor. Ao mesmo tempo, ele enviou seu assessor responsável pela companhia aérea nacional, Nadir Chaudhry, para a torre de controle de Karachi a fim de evitar que o avião com o general pousasse.
Quando o avião recebeu ordens para mudar de rumo, o piloto - sem saber o que fazer - buscou a opinião de Musharraf. Transmissões de rádio através da torre de controle estavam bloqueadas, mas o general finalmente conseguiu estabelecer contato com o comandante da divisão do exército em Karachi via um contato de rádio em Dubai, quando planejaram a tomada da torre de controle de Karachi.
Naquele momento, os militares já haviam assumido o controle da estação de televisão e outros prédios governamentais em Islamabad, e colocado Sharif sob prisão domiciliar.
Uma matéria do jornal The News fala que um pequeno contingente de soldados enganou os comandantes da força policial de 300 homens no aeroporto, dizendo que o local estava cercado por tropas do exército, e eles então entregaram suas armas.
O Airbus 300 tinha combustível suficiente para seis horas de vôo quando partiu de Maldives, Sri Lanka, para uma viagem de 4 horas e meia, segundo o jornal. O aparelho circulou sobre Karachi por cerca de 90 minutos antes de as tropas assumirem o controle da torre.
Autoridades disseram que o incidente será investigado tanto pela inteligência civil quanto militar.
Chaudhry já está em custódia militar. Sharif não foi visto em público desde sua detenção na terça-feira, e acredita-se que tenha sido transferido de Islamabad para sua cidade-natal de Lahore, e posteriormente levado de volta para a capital.

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