Exército indonésio abandona Timor Leste
Díli, 27 (AE-AP) - O Exército da Indonésia partiu hoje (27) de Timor Leste e deixou a segurança do território nas mãos da força de paz da ONU, que aproveitou para expulsar milicianos pró-Indonésia de seu bastião na cidade de Liquisa. O general indonésio Kiki Syahnakri anunciou à imprensa a transferência de controle, acrescentando, porém, que 1,5 mil de seus soldados permanecerão em Timor Leste para guardar as bases militares até que o resultado do plebiscito do dia 30, pró-independência, seja ratificado pelo Parlamento, que se reunirá em novembro.
O comandante da Força Internacional da ONU em Timor Leste (Interfet), o general australiano Peter Cosgrove, saudou a partida das tropas indonésias, acusadas de apoiar e ajudar as milícias em sua campanha de terror no território. Mas ele negou que a Indonésia tenha transferido completamente o controle de Timor Leste para a ONU e assinalou que em grande parte da ex-colônia portuguesa ainda não há segurança efetiva. Segundo Cosgrove, as tropas indonésias deixaram um vácuo que os 3,7 mil soldados da força de paz não são capazes de preencher imediatamente.
O general australiano enviou hoje 150 soldados, helicópteros Blackhawk e blindados a Liquisa (cerca de 30 quilômetros a oeste de Díli, capital timorense). Lá, as forças da ONU obrigaram 30 combatentes pró-Jacarta a fugir para as montanhas.
De acordo com as agências humanitárias, as milícias pró-Jacarta mataram milhares de pessoas e obrigaram centenas de milhares a fugir do território após o plebiscito patrocinado pela ONU.
O bispo Basilio do Nascimento denunciou hoje que um grupo católico foi atacado sábado por soldados indonésios quando voltava a Baucau desde a localidade de Los Palos, no extremo leste do território. Nove pessoas foram mortas: um jornalista indonésio, dois seminaristas, duas freiras, um chofer, duas assistentes das freiras e o chefe da Cáritas de Baucau.
Em Genebra, o Comitê de Direitos Humanos da ONU decidiu pedir que o secretário-geral Kofi Annan lance uma investigação sobre as atrocidades em Timor. A decisão foi aprovada por 32 votos a 12.
Em Lisboa, o jornal Público informou que Manuel Gusmão, pai do líder da resistência Xanana Gusmão, não foi assassinado pelos milicianos, ao contrário do que fora anunciado anteriormente, e está escondido na casa de um amigo.





