Brasília, 28 (AE) - O Exército foi acionado pelo então presidente José Sarney (PMDB), hoje Senador pelo Amapá, em 1985, para desocupar a Via Dutra, onde os caminhoneiros autônomos, liderados pelo mesmo Nélio Botelho, reivindicavam o reconhecimento de uma federação nacional da categoria. Os ministros do Trabalho, Almir Pazzianotto, e da Justiça, Fernando Lyra, e o consultor-geral da República na época, Paulo Brossard, aconselharam Sarney a não ceder e o bloqueio durou apenas uma noite.
Pazzianotto, hoje no Tribunal Superior do Trabalho (TST)
considera o movimento atual muito mais amplo e organizado e não vê possibilidade de o governo acionar a Justiça contra os caminhoneiros, apesar do ato caracterizar uma greve. "Não há um agente passivo para trazer ao tribunal", disse o ministro, explicando que a responsabilidade pelo movimento é diluída.
Ele acredita que a solução mais adequada para o caso é política e que o impasse só se instalou porque o governo ignorou os problemas enfrentados pelos caminhoneiros, de conhecimento público desde as eleições de 1998. Isso não significa que o ministro concorde com a reivindicação de mudar o tratamento aos caminhoneiros dentro do Código de Trânsito Brasileiro. "Os taxistas e motoristas de ônibus também vivem pedindo o mesmo tratamento privilegiado e nunca foram ouvidos."
Pazzianotto lembrou que, em 1985, os caminhoneiros autônomos, liderados por Botelho, bloquearam a Via Dutra, no Rio
porque o governo rejeitou o reconhecimento da federação da categoria por considerá-los sem organização representativa no âmbito nacional. O Exército desocupou a rodovia porque era federal. "Sendo estadual, o Exército não pode entrar, a menos que seja feita intervenção no Estado", explicou.
Para o ministro, o movimento atual é mais organizado e audacioso porque foi planejado estrategicamente para paralisar o tráfego nas principais artérias do País. O uso da força não é recomendável por ter desfecho imprevisível. A saída, na opinião dele, é o governo negociar e intermediar a redução do pedági, ou fazer alguma concessão aos caminhoneiros, a exemplo da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aos motoristas de táxi.

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