Agência Estado
De Brasília
A fiscalização de desmatamentos e queimadas na Amazônia ganha, no início de agosto, reforço do Comando de Operações Terrestres (Coter) do Exército. Seis helicópteros e 70 militares farão o transporte e a segurança de fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) até o fim do ano. Em troca, o Ibama repassará R$ 1,061 milhão ao Coter. A parceria foi formalizada ontem no convênio firmado entre a presidente do Ibama, Marília Marreco, e o general comandante do Coter, Luciano Casales.
A presidente do Ibama disse que inicialmente 200 fiscais farão o trabalho, mas o projeto é deslocar 350 para o chamado arco do desmatamento, que vai de Imperatriz do Maranhão até Humaitá, no Amazonas, cortando seis Estados. ‘‘Essa área equivale a distância entre Lisboa e a Rússia’’, comparou o general Casales.
O general reclamou da burocracia, que atrasou em um mês a assinatura do convênio e deixou claro que o Exército irá a campo somente depois de receber a verba prevista, necessária para a manutenção dos helicópteros e pagamento de diárias aos militares. ‘‘Dez dias depois de recebido o dinheiro, teremos condições de iniciar a operação’’, disse o general, ressaltando que o ‘‘Exército não é polícia’’. Marília Marreco disse que hoje poderá solicitar a transferência da verba do orçamento do Ibama para o Coter.
Além da fiscalização aérea, está prevista a montagem de três postos terrestres pelo Exército nas principais vias de escoamento de madeira, na PA-150, que liga o município paraenses de Moju ao de Santa Maria das Barreiras (situado na fronteira com o Mato Grosso), na BR-163, que vai de Cuiabá a Santarém, e a BR-010, conhecida como Transamazônica.
O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, presente à cerimônia, lamentou que a operação conjunta comece só agora, quando 70% dos desmatamentos - normalmente concentrados no primeiro semestre - já ocorreram. ‘‘Vamos monitorar mais as queimadas do que o desmatamento’’, disse, mas avisa que no próximo ano essa fiscalização em parceria com o Exército começará no final de fevereiro.
Sarney Filho mandou um recado a quem está retirando madeira sem autorização do órgão ambiental do Estado. ‘‘É momento de mudança de mentalidade, todos terão a oportunidade de legalizar a atividade econômica ilegal’’. Segundo o ministro, além do programa de fiscalização serão desenvolvidos projetos com alternativas econômicas ao corte ilegal de madeira. ‘‘Só com a repressão não conseguiremos reverter a tendência de desmatamento na Amazônia’’, afirma, prometendo rigor no cumprimento da lei, mas também criação de alternativas.
De acordo com o diretor de fiscalização do Ibama, Rodolfo Lobo da Costa, em 98 foram desmatados 13 mil quilômetros quadrados, área equivalente à do Estado de Sergipe.

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