Exército diz que não existem documentos sobre desaparecidos15/Mar, 18:15 Por Ariel Palacios Buenos Aires, 15 (AE) - A procura em todos os arquivos do Exército de documentos sobre o destino dos desaparecidos políticos durante a última Ditadura Militar (1976-1983) foi infrutífera: segundo o chefe do Exército, o general Ricardo Brinzoni, "não existem mais documentos sobre os desaparecidos". Na semana passada, Brinzoni havia ordenado a procura de ordens de operações, regulamentos sobre os procedimentos com a guerrilha e qualquer tipo de pista que pudesse esclarescer o paradeiro de 30.000 desaparecidos, entre eles, quase 500 crianças. Os registros teriam sido queimados por ordem do último chefe do Exército durante a Ditadura, o general Cristino Nicolaides, em novembro de 1983, poucos dias antes do retorno da Democracia à Argentina. A declaração de Brinzoni irritou os órgãos de defesa dos Direitos Humanos. "Eles possuem os documentos, não destruíram coisa alguma. Essa busca foi uma paródia", disse uma das líderes das Mães da Praça de Mayo, Mercedes Merino. A suspeita sobre a seriedade da procura aumentou quando descobriu-se que, coincidentemente, nos últimos dias o Exército destruiu milhares de documentos em uma unidade de espionagem. Brinzoni sustentou que "era documentação inútil que não estava vinculada com a subversão". A polêmica aumentou quando Brinzoni afirmou que "não houve um plano sistemático para o sequestro de bebês durante a Ditadura". As declarações chocam-se com a evidência de 240 casos registrados de filhos de desaparecidos políticos que foram sequestrados junto com seus pais, dos quais 66 foram reencontrados pelas suas famílias biológicas nos últimos anos. àrgãos de defesa dos Direitos Humanos calculam que o número total de crianças desaparecidas possa chegar a 500, a maioria nascida enquanto as mães estavam detidas em campos de tortura. Outra evidência argumentada pelos órgãos é um livro de registros dos partos clandestinos ocorridos na base de Campo de Mayo entre 1976 e 1983, encontrado em dezembro passado. Este descobrimento provocou um novo debate sobre a existência de documentos sobre os desaparecidos. No momento, uma dezena de ex-repressores, entre eles o ex-ditador Jorge Rafael Videla e o ex-almirante Emilio Massera estão em prisão domiciliar esperando processos sobre suas responsabilidades no sequestro destas crianças. Ao contrário do general Brinzoni, o ex-general Antonio Domingo Bussi, um dos mais famosos ex-repressores da Ditadura, declarou à Justiça que o regime militar "registrava minuciosamente dia a dia a atividade de combate, com as pessoas mortas, feridos e desaparecidos". Bussi, que durante a democracia foi eleito governador da província de Tucumán, negou a existência de um centro de detenção e tortura na base de Campo de Mayo, que comandou entre 1977 e 1978, mas admitiu que havia criado o "Museu da Subversão". Este museu reunia "troféus" obtidos da guerrilha, entre eles armas e documentos. Na inauguração do museu, Bussi teria exibido o corpo embalsamado do guerrilheiro Mario Santucho em um lugar de destaque. A informação foi fornecida pelo ex-sargento Víctor Ibáñez, que também disse à Justiça que Bussi havia colocado nas salas do museu diversos bonecos de plástico em poses de ataques guerrilheiros. No entanto, afirma Ibánez, o boneco que personificava Santucho era especial: o próprio corpo empalhado do falecido líder do Exército Revolucionário do Povo (ERP).

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