Brasília, 24 (AE) - O Comando do Exército divulgou hoje nota oficial lamentando a morte do ex-presidente João Batista Figueiredo, na qual ressalta que ele sempre agiu "no cumprimento de suas missões e com tenacidade, buscando atingir todos os objetivos a que se propôs". "A História, por certo, lhe prestará a mais justa homenagem", prossegue a nota, assinada pelo Centro de Comunicação Social.
"O Exército, consternado, se associa à dor da família enlutada pela inestimável perda e rende a sua homenagem ao chefe militar honrado, que dedicou sua vida ao Exército Brasileiro", diz ainda a nota. O Exército acrescenta que Figueiredo "dirigiu
como presidente da República, os altos destinos do País em uma conjuntura de grandes transformações políticas e sociais". Meneguelli - O deputado federal Jair Meneguelli (PT), que participou da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no início da década de 80, disse que o papel de restabelecimento da democracia foi muito mais intenso durante o governo de João Batista Figueiredo do que nos de Médici e Geisel. Meneguelli foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional por dizer que Figueiredo "roubou dos trabalhadores" durante uma assembléia de metalúrgicos em greve. Meneguelli era então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. O seu vice, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, que hoje é o presidente nacional da CUT, também foi enquadrado na lei porque na mesma assembléia chamou o ex-presidente de "ladrão". Ambos se livraram da prisão por ação do advogado Luís Eduardo Greenhalgh.
"O seu governo era militar, mas estava então se iniciando o processo de abertura", destacou Meneguelli, que se prepara agora para candidatar-se à prefeitura de São Caetano do Sul, pelo PT. O parlamentar lembrou que apesar da decepção de o voto não ser direto no período subsequente, a esquerda estava forte e organizada à época, fato que acabou levando à mobilização pelas diretas. Dias - O ministro da Justiça, José Carlos Dias, disse que preferia lembrar o lado bom do ex-presidente João Figueiredo. "Ele foi sensível ao clamor da sociedade civil que exigia a anistia", afirmou Dias. "Com isso, foi dado um importante passo para a redemocratização do País". O ministro foi advogado de vários presos políticos durante o regime militar. Brizola - O ex-governador do Rio, Leonel Brizola (PDT), disse que Figueiredo foi um "fator positivo no sentido da abertura". "Eu testemunhei isso, mesmo enfrentando armadilhas", afirmou Brizola. Segundo ele, o ex-presidente lutou para o fim do período militar, mas que o sistema político tem suas raízes mergulhadas no "autoritarismo daquela época". E, por isso, segundo Brizola, "a democracia está cheia de vícios". Porta-voz - O ex-porta-voz de Figueiredo e ministro aposentado do Tribunal de Contas da União (TCU), Carlos átila, disse que, nos dois últimos anos, o ex-presidente vinha sofrendo muito com problemas de saúde. "O seu falecimento vem encerrar um período de sofrimento", disse átila, que elogiou Figueiredo. "Ele tinha uma grande característica, que era a sinceridade e a transparência", afirmou.

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