Exército começa a deixar as ruas do Rio
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quinta-feira, 13 de março de 2003
Agência Estado 
Rio Depois de duas semanas marcadas por desentendimentos entre o Estado e a União quanto à permanência das tropas federais nas ruas, os três mil homens das Forças Armadas que patrulhavam o Rio voltam hoje para os quartéis. A chamada ''Operação Guanabara'', que tinha como objetivo proteger a população durante o carnaval, acabou se estendendo a pedido da governadora Rosinha Matheus, que acredita que os militares deram aos cariocas maior ''sensação de segurança''.
A operação foi montada por conta das ações violentas promovidas pelos traficantes de drogas nos dias anteriores ao carnaval. Foi a primeira vez que militares ocuparam as ruas durante a festa. Os grupamentos chamavam a atenção por se concentrar em vias movimentadas do Rio podiam ser vistos na Rodoviária Novo Rio, estações de metrô e bairros com altos índices de criminalidade.
As tropas não se envolveram em confrontos com os bandidos nem entraram em favelas. Mas houve um incidente grave: na madrugada do dia 4 de março, o professor de inglês Frederico Branco de Farias, de 55 anos, foi morto a tiros depois de passar por uma blitz de militares em Inhaúma, na zona norte.
A governadora Rosinha Matheus pediu que a ajuda federal continuasse por um mês, mas a União negou, alegando que a função de policiamento não é própria do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
A última vez que os militares saíram às ruas do Rio foi durante as eleições passadas, no primeiro e no segundo turnos. Três mil militares ocuparam as ruas e oito mil ficaram de prontidão nos quartéis. Durante a ''Operação Rio'', em 1994, soldados do Exército e fuzileiros navais subiram favelas e patrulharam as ruas por cerca de dois meses.
Empresários Em reunião de duas horas com o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, os empresários de comércio do Estado do Rio revelaram que, só no ano passado, gastaram R$ 3,8 bilhões com segurança privada, valor equivalente a três vezes o orçamento da Secretaria de Segurança Pública do RJ. Os números impressionaram o secretário, que recebeu sugestões de combate à violência, como a instalação de áreas de ''tolerância zero'' nos pontos turísticos do Rio, onde haveria reforço policial e instalação de câmeras de filmagem, e a criação de uma delegacia especializada no combate à pirataria.
Participaram da reunião representantes das federações de seguros, comércio, indústrias e transportes, que acertaram a ação conjunta em comunidades pobres com um foco principal: os jovens de 15 a 24 anos. A intenção da iniciativa, chamada pelo secretário de ''consórcio'', é oferecer alternativas de estudo, emprego e lazer, evitando que os rapazes sejam recrutados pelo tráfico de drogas.


