Exército avaliza aproveitamento de jovens na polícia
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Marcelo Godoy e Sandra Sato 
São Paulo, (AE) - A Polícia Militar de São Paulo recebeu aval do Ministério do Exército para aproveitar em funções burocráticas os jovens dispensados do serviço militar por excesso de contingente. A informação é da Diretoria de Comunicação Social da PM. O projeto está na 1.ª Seção do Estado-Maior do Comando-Geral da PM, que espera autorização legal para o seu início.
A idéia da Polícia Militar é, além de reduzir o número de pessoas necessárias ao serviço administrativo, substituí-las pelos jovens, que teriam a opção de prestar o serviço militar na PM. Hoje, cerca de 20% dos 83 mil homens da corporação fazem serviços sem relação com o policiamento das ruas.
A idéia de usar jovens dispensados pelas Forças Armadas foi defendida ontem (03), em São Paulo, pelo novo comandante-geral da PM, coronel Rui César Melo. Com isso, a PM poderia dispor dos policiais dos serviços burocráticos no policiamento das ruas.
Para utilizar jovens dispensados no serviço militar será necessária a aprovação de uma lei no Congresso, informou em Brasília o Centro de Comunicação Social do Exército. Portanto, a proposta da PM não pode ser executada imediatamente. O Centro explica que o decreto presidencial sobre o alistamento prevê que
uma vez o jovem tendo recebido o certificado de dispensa, ele não tem mais compromissos a cumprir com o Exército.
O Exército enfatiza, no entanto, que se houver uma lei prevendo a ida do excedente para os quadros da PM está pronto para cumpri-la, fornecendo nomes dos alistados. No ano passado, cerca de 1,5 milhão de adolescentes de 18 anos alistaram-se no Exército, mas apenas 75.188 foram convocados.
"Pode esperar a juventude na rua com a cara pintada contra o projeto", disse o deputado estadual e capitão da reserva da PM Conte Lopes (PPB), que é favorável à proposta, mas não crê na sua aprovação. Para ele, a alternativa é valorizar, com gratificação, o trabalho policial na rua. "Quem está na rua só tem pepino, por isso, é melhor ficar no quartel."
O deputado estadual Elói Pietá (PT) disse que seria favorável ao projeto da PM desde que ele fosse mais abrangente, ou seja, que o jovem em idade de prestar o serviço militar pudesse escolher a PM ou fazer o serviço em outros órgãos da administração pública, como a Secretaria da Saúde.
Para o promotor Willian Terra, do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), alguns países europeus usam os excedentes do serviço militar em trabalhos internos nas Forças Armadas. "Como a PM é força auxiliar do Exército, ela se encaixaria nesse modelo."


