Exército assume segurança na Bahia
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quarta-feira, 11 de julho de 2001
Biaggio Talento Agência Estado De Salvador 
O Exército assumiu as funções da Polícia Militar baiana ontem e passou a ser responsável pela manutenção da ordem e segurança no Estado por causa da greve das polícias civil e militar que completa hoje oito dias. No entanto, até a tarde de ontem, a tropa não havia sido mandada às ruas de Salvador que continuavam sendo vigiadas, de forma precária, por policiais militares de batalhões do interior baiano.
Foi a saída que tínhamos que dar, em respeito à sociedade baiana, para instalar um clima de ordem e tranquilidade no Estado, disse o governador César Borges (PFL), após assinar o decreto no Palácio de Ondina (residência oficial do governo).
A decisão de convocar o Exército para intervir na PM foi tomada depois que Borges foi informado que os 600 integrantes da tropa de choque do Estado, que vinham patrulhando as ruas, também resolveram entrar em greve. Além disso, a insegurança deixou de ser apenas uma impressão, com o assassinato de uma
estudante.
Não nos restou outra alternativa, declarou Borges, pouco depois de assinar o decreto que passava em caráter temporário e de emergência, o comando da PM à 6ª Região Militar do Exército, com sede em Salvador.
O governador foi precipitado. Desde já, os baianos ficam sabendo que ele (César Borges) será o principal responsável por uma eventual tragédia, disse o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado, Crispiniano Daltro.
De acordo com o governador, o Exército tem carta branca para decidir o que fazer com os militares rebelados -negociar ou invadir os batalhões e companhias ocupadas na semana passada. A Justiça já autorizou as medidas em liminar.
O governador se reuniu ontem com o general Alberto Cardoso, ministro-chefe de Segurança Institucional da Presidência da República e o comandante da 6ª Região Militar, general Barros Moreira para discutir como o Exército vai realizar o policiamento das ruas de Salvador, bem como a desocupação dos quartéis da PM, tomados pelos grevistas, caso seja necessário.
Ao deixar a reunião, Cardoso apostava na negociação com os grevistas para resolver o problema. Tenho a convicção que a solução vai ser a volta à mesa de negociações, com a polícia cumprindo seu dever constitucional de prover a segurança pública, conversando, mas durante sua atividade de trabalho, declarou. No entanto, enquanto Cardoso pregava o diálogo, o caos na cidade se alastrava com a adesão à greve dos agentes de trânsito da Prefeitura de Salvador e os vigilantes, o que levou a insegurança e o medo à população .
Os grevistas estão aquartelados com todos os equipamentos do trabalho diário, farda, coletes à prova de balas e armas. Eles usam máscaras do tipo ninja para não serem identificados e não recuaram nas reivindicações.
Na última vez que as Forças Armadas foram chamadas a intervir numa greve da Polícia Militar da Bahia, em março de 81, ocorreu um conflito armado que resultou na morte de um tenente da PM e em ferimentos graves que deixou outro oficial paralítico.


