O Exército começou ontem a patrulhar as ruas de Maceió e cidades do interior de Alagoas em substituição ao trabalho da Polícia Militar, parada há 12 dias no Estado e sob ameaça de intervenção a partir de amanhã. Ontem, a população ateou fogo a um posto do Batalhão da Polícia Militar na Capital, ao lado da Ponte de Ferro da Boa Vista. Não houve feridos, e ninguém foi preso.
Até sábado, o Exército guardava apenas prédios públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O Exército usa um efetivo de 1.500 homens, número duas vezes e meia superior à tropa localizada em solo alagoano, que é de 600 homens. Cada patrulha é integrada por um jipe, três caminhões e 30 soldados armados com fuzil, metralhadora e granada.
As ações terrestres são auxiliadas por helicópteros da Brigada de Infantaria Pára-Quedista. A brigada é sediada no Rio de Janeiro e, segundo nota do Exército, é uma ‘‘tropa apta e experiente e que tem a capacidade de rápida concentração utilizando meios aéreos’’. Os helicópteros e as patrulhas foram atração para parte dos 2,7 milhões de habitantes de Alagoas. Eles podiam ser vistos na orla marítima e na periferia de Maceió.
EstratégiaAs operações são comandadas pelo comandante da 7º Brigada de Infantaria Motorizada de Natal (RN), general Hélio Seabra Monteiro de Barros, designado pelo Ministério do Exército. ‘‘A movimentação do Exército é apenas um problema estratégico. As novas tropas que chegaram visam dar mais tranquilidade à sociedade alagoana’’, afirmou o governador interino, Manoel Gomes de Barros (PTB).
Mas a patrulha do Exército não resolve os problemas de segurança de Alagoas. Além da PM, as delegacias estão fechadas. Ninguém foi preso e nenhum inquérito foi aberto desde o início da greve dos 1.350 policiais civis, no último dia 11. O Exército também não tem condições de substituir o trabalho da Polícia Civil.
O governador interino admitiu ontem que uma das soluções para acabar com a crise na segurança pública do Estado que pode ser adotada amanhã é a intervenção do Exército na PM. Os deputados federais e senadores do Estado se reuniram ontem com Barros e disseram apoiar a intervenção na PM e a nomeação de um nome de fora do Estado para assumir a Secretaria da Segurança Pública.

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