Exército assume patrulha em Maceió
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domingo, 20 de julho de 1997
Ari Cipola Agência Folha Maceió 
O Exército começou ontem a patrulhar as ruas de Maceió e cidades do interior de Alagoas em substituição ao trabalho da Polícia Militar, parada há 12 dias no Estado e sob ameaça de intervenção a partir de amanhã. Ontem, a população ateou fogo a um posto do Batalhão da Polícia Militar na Capital, ao lado da Ponte de Ferro da Boa Vista. Não houve feridos, e ninguém foi preso.
Até sábado, o Exército guardava apenas prédios públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O Exército usa um efetivo de 1.500 homens, número duas vezes e meia superior à tropa localizada em solo alagoano, que é de 600 homens. Cada patrulha é integrada por um jipe, três caminhões e 30 soldados armados com fuzil, metralhadora e granada.
As ações terrestres são auxiliadas por helicópteros da Brigada de Infantaria Pára-Quedista. A brigada é sediada no Rio de Janeiro e, segundo nota do Exército, é uma tropa apta e experiente e que tem a capacidade de rápida concentração utilizando meios aéreos. Os helicópteros e as patrulhas foram atração para parte dos 2,7 milhões de habitantes de Alagoas. Eles podiam ser vistos na orla marítima e na periferia de Maceió.
EstratégiaAs operações são comandadas pelo comandante da 7º Brigada de Infantaria Motorizada de Natal (RN), general Hélio Seabra Monteiro de Barros, designado pelo Ministério do Exército. A movimentação do Exército é apenas um problema estratégico. As novas tropas que chegaram visam dar mais tranquilidade à sociedade alagoana, afirmou o governador interino, Manoel Gomes de Barros (PTB).
Mas a patrulha do Exército não resolve os problemas de segurança de Alagoas. Além da PM, as delegacias estão fechadas. Ninguém foi preso e nenhum inquérito foi aberto desde o início da greve dos 1.350 policiais civis, no último dia 11. O Exército também não tem condições de substituir o trabalho da Polícia Civil.
O governador interino admitiu ontem que uma das soluções para acabar com a crise na segurança pública do Estado que pode ser adotada amanhã é a intervenção do Exército na PM. Os deputados federais e senadores do Estado se reuniram ontem com Barros e disseram apoiar a intervenção na PM e a nomeação de um nome de fora do Estado para assumir a Secretaria da Segurança Pública.


