Panamá, 30 (AE-ANSA) - O Exército Sul dos EUA abandonou hoje (30) o Panamá após quase 90 anos de presença na margem do estratégico Canal Interoceânico, de onde foram coordenadas diversas operações militares, entre as quais a guerra do Vietnã. O ato protocolar de retirada das tropas americanas realizou-se em Forte Clayton e contou com a presença do presidente panamenho
Ernesto Pérez Balladares, e do comandante-chefe do Comando Sul -sediado nessa cidade -, general Charles Weilgen. A base militar de Clayton será fechada e transferida para o Panamá no dia 30 de novembro.
A ocupação americana data de 1903. Essa unidade estabeleceu-se no Panamá para proteger a construção do canal - que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico - e da chamada Zona do Canal, uma faixa de cerca de 16 quilômetros no seu entorno controlada pelos EUA. Com sua saída, permanecem no país apenas mil dos 22 mil soldados que antes ficavam estacionados na região. O restante deixará o Panamá no dia 31 de dezembro, quando o canal passará ao controle do governo local. Os EUA já devolveram ao Panamá a maior parte dos terrenos na Zona do Canal
restando ainda cerca de 15 mil hectares e centenas de edifícios de antigas bases militares, destacando-se a de Howard, a maior dos EUA na América Latina. O governo panamenho pretende transformar essas terras em áreas comerciais e turísticas e centros de desenvolvimento.
Ontem - um dia antes da retirada - a Câmara Federal americana votou uma emenda retirando os fundos para alistamento de soldados para a Escola das Américas, instituição do Exército onde foram treinados vários ditadores latino-americanos, informou hoje o The New York Times. A instituição, antes sediada no Panamá e transferida há alguns anos para o Estado da Geórgia - era acusada de ter ensinado técnicas de tortura para militares latino-americanos nos anos da guerra fria. Entre os graduados da escola, coincidentemente, estavam o ex-ditador do Panamá, atualmente preso em Miami por tráfico de drogas. A votação final será na segunda-feira.

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