Três horas após os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desmontarem o acampamento, ontem, a Polícia Militar chegou à Fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis. Os policiais passaram pela porta da propriedade e seguiram rumo a Serra Bonita, a 15 quilômetros do local. No início da noite, os PMs voltaram e se posicionar na frente de um imenso armazém, a 5 quilômetros da fazenda. Por volta das 19 horas, a tropa seguiu rumo à propriedade.
Os 295 policiais do Exército permaneciam na fazenda e a sua saída do local só ocorrerá por ordem expressa do presidente da República. A decisão deve ficar para hoje, pois Fernando Henrique havia viajado para o Rio de Janeiro.
À noite, a área militar avaliava que os riscos de invasão da fazenda estavam superados, pois os sem-terra haviam se afastado do local. Mesmo assim, o governo federal decidiu que as tropas federais permaneceriam na propriedade por mais uma noite. A maior preocupação do Planalto é com a falta de garantia por parte do governador mineiro de que a PM estará pronta para defender a fazenda em caso de nova ameaça. O Planalto não quer mais que, a cada manifestação no local, seja criado um novo embate entre os governos federal e de Minas Gerais.
O serviço de inteligência da PM de Minas sabia desde domingo que manifestantes do MST seguiriam para a propriedade na madrugada de terça-feira. O administrador da Córrego da Ponte, Wander Gontijo, disse que a fazenda recebeu um alerta da PM de Buritis ainda no domingo.
O governador de Minas, Itamar Franco, pediu que a PM obtivesse informações do que estava ocorrendo para enviar relatórios ao governo. (A.E.)

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