Rio- O coronel Fernando Lemos, assessor de imprensa do Comando Militar do Leste, admitiu que a operação do Exército em 12 favelas do Rio, que chegou ontem ao quinto dia sem resultados, pode desgastar a imagem da corporação. Mas reafirmou que as tropas não deixarão os morros até que os 10 fuzis sejam recuperados. Ele disse que o Exército não pretende mudar sua estratégia e já colocou 1.600 homens de prontidão em três Estados. Para ele, a morte de um jovem no Morro do Pinto foi ''premeditada'' pelo tráfico, para desestabilizar o trabalho dos militares.
Cinco dias de operação em 12 favelas e ainda não há nenhum resultado prático. Essa situação pode desgastar a imagem do Exército?
Pode ser que sim. Mas temos de tentar. Na guerra, pode-se ganhar ou perder. E temos de guerrear. A sociedade pede essa resposta. Eles (os traficantes) não são maiores do que nós.
Se em 10, 15 dias não houver mudança nessa situação, o Exército já tem outra estratégia?
Não há plano B. O general Curado (Domingos Curado, comandante Militar do Leste) está preparado para tudo.
Em cinco dias, as tropas ocuparam 12 favelas, algumas de facções rivais. A impressão que dá é que o Exército está perdido.
Não sabemos qual facção ordenou o roubo. Mas as ocupações são norteadas pelo inquérito policial militar. O presidente do inquérito tem ouvido suspeitos, testemunhas, recebe os informes das diligências, dos setores de inteligência e as informações repassadas pelo Disque-Denúncia (foram 272 ligações até ontem). Ele faz análise desses informes, e embasa o pedido de mandado de busca e apreensão à Justiça Militar.
Em cada favela foi cumprido um mandado?
Às vezes mais de um mandado. Não queremos incidente com civil. Se chegamos à favela com 10 homens para cumprir um mandado, o tráfico reage, troca tiros. Atuamos em massa para dar sustentação ao cumprimento do mandato e evitar reação. Sufocar o tráfico; a redução de outros crimes na área é consequência.
E o episódio do Morro do Pinto, em que um adolescente morreu durante a operação do Exército e da PM?
O rapaz estava num morro vizinho ao Morro da Providência. Nossos soldados subiam em direção ao topo. O tiro que matou o jovem veio de cima. Ele estava atrás dos soldados. Foi um tiro premeditado (pelos traficantes) para desestabilizar a ocupação.
Quantos homens estão de prontidão?
Agora são 1.600 em Brasília, Goiânia e Minas Gerais. Ainda não há data prevista para a vinda desses militares.
Quantos trabalham no Rio?
No total, são 1.500 homens - 1.200 nas favelas. Trezentos atuam na retaguarda.

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