Exemplo a ser repetido
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sábado, 08 de dezembro de 2018
Pedro Moraes<br>Reportagem Local 

O 2º Colégio da Polícia Militar do Paraná, em Londrina, completou seu primeiro aniversário no dia 24 de novembro e se tornou um marco no novo desafio para a corporação. A bem-sucedida empreitada da expansão da instituição para o interior animou outros municípios a se candidatarem a receber a escola. O terceiro e o quarto colégios já estão garantidos nos municípios de Cornélio Procópio e Maringá em 2019, e os trabalhos para a implantação em Foz do Iguaçu e Cascavel já estão avançados. A filosofia do trabalho educacional da PM já é um desejo de várias cidades. "Atualmente temos 20 pedidos para a criação de novos colégios. Temos muito orgulho do trabalho e a confiança que a população tem na nossa corporação. Temos a responsabilidade na transformação de futuros chefes de família. No próximo ano poderemos ter aproximadamente de 4 mil alunos", comenta o coronel Mauro Celso Monteiro, comandante da Academia Policial Militar do Guatupê, que é responsável pela expansão dos colégios militares no Paraná.
Para o segundo ano de atividades, o Colégio Militar irá oferecer uma importante novidade aos alunos. Todas as quinze salas de aula contarão com um moderno sistema de lousa digital. O giz não terá mais vez. O sistema é composto por um quadro branco com sensores infravermelho e um projetor capaz de acompanhar o movimento das mãos do professor. Tudo isso é ligado a um computador conectado à internet, e ainda é capaz de instalar aplicativos específicos para cada matéria. Como, por exemplo, um que simula o trabalho de cientistas em laboratório. "Já estamos na fase de testes e no início do próximo ano letivo todos os alunos irão contar com as aulas nesse sistema. São telas de 94 polegadas", explica o capitão Alfredo Euclides Dias Netto, comandante do colégio de Londrina. A escola também acabou de inaugurar sua biblioteca e no próximo ano irá ganhar uma quadra esportiva com piso sintético.
O processo de transformação do antigo Colégio São José para os moldes do encontrado hoje sob a gestão da Polícia Militar foi o maior desafio da administração do comandante Alfredo Netto. Com o telhado arruinado e as instalações em estado precário, o local já não atraia mais as famílias dos estudantes do Jardim Leonor (zona oeste). "As obras não pararam durante todo o ano letivo. Em princípio, tivemos um investimento de R$ 700 mil do Fundepar (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional) e depois contamos com a ajuda da comunidade para continuar os trabalhos", explica Netto, que hoje cuida de 350 alunos, número que tem a perspectiva de dobrar nos próximos dois anos. As provas para 2019 já foram realizadas. São ofertadas 90 vagas para o 6º ano do ensino fundamental e outras 66 para o 1º ano do ensino médio. O resultado sai no dia 17 de dezembro.

Com a confiança da população, o 2º Colégio da Polícia Militar do Paraná recebe alunos de sete municípios da região, como o caso de Lucas Gabriel Martins, 15, aluno do 1º ano do ensino médio, que vem de Ibiporã todos os dias para estudar. O menino, que em princípio teve medo da rigidez da disciplina, afirma que não encontrou dificuldades para se ambientar e sonha, inclusive, em seguir carreira na PM. "O ensino é melhor do que no colégio particular que eu estudava. Sinto que os professores são mais disponíveis e, mesmo quando temos dificuldades, os soldados que trabalham no colégio nos ajudam explicando as matérias", elogia o menino. Seu pai, Gefferson Martins, 42, egresso da Aeronáutica, está satisfeito, a ponto de inscrever a caçula, Allana, 10, no processo de seleção para 2019. "Estamos esperando o resultado e torcendo que ela passe porque gostamos da forma que o colégio apresenta as propostas aos pais, sem contar as lições de disciplina e de valores", detalha o pai.
O trabalho da Polícia Militar é em parceria com a Seed (Secretaria Estadual de Educação), que cede os seus professores para atuar sob a gestão da corporação. Os livros utilizados pelos professores são os mesmos adotados pela rede estadual. O que basicamente difere o ensino são a oferta de atividades esportivas - futsal, vôlei, xadrez, natação, atletismo, judô e equitação - e o uso da disciplina militar. "Aqui educamos crianças como nas outras escolas. Eles têm momentos para brincar como em todas as escolas, mas resgatamos valores de respeito, disciplina e responsabilidade que foram perdidos", avalia o comandante Netto. O resultado foi sentido na avaliação. Os alunos tiveram um crescimento considerável das notas do primeiro para o segundo trimestre e alcançaram uma média no Saep (Sistema de Avaliação do Educacional do Paraná) superior à média geral do Estado e das escolas de Londrina.
O aniversário do primeiro ano da escola foi comemorado com um desfile dos alunos para a comunidade e as famílias. Os estudantes marcharam e mostraram estar com o canto do Hino Nacional na ponta da língua. Diariamente as crianças têm atividades cívicas como parte da rotina. O comandante do colégio sente um enorme orgulho de sua nova função. Ex-aluno do Colégio da Polícia Militar do Paraná - Cel. PM. Felippe de Sousa Miranda, em Curitiba, Netto seguiu a carreira militar e trabalhou na instituição na capital do Estado por nove anos. "Passei metade da minha vida dentro dessa instituição. Tenho muito orgulho da missão que recebi", exalta. Seus primeiros troféus são os resultados dos formandos. Entre os 18 alunos do terceiro ano do ensino médio, quatro foram aprovados na primeira fase do vestibular da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e um conseguiu uma bolsa integral em uma faculdade particular.

O maior desafio da Polícia Militar para manter o crescimento da sua rede de ensino é a própria presença da tropa dentro da escola. Em Londrina, por exemplo, atuam 35 PM, número muito superior ao número de agentes presentes em muitos municípios, como Astorga, que conta com 18 policiais. Há ideias de reintegrar oficiais que estão na reserva para atuar nos colégios. A abertura de novas unidades depende da boa vontade dos governantes. O projeto de política pedagógica dos colégios militares é o mesmo dos demais colégios estaduais. A merenda e recursos do Fundo Rotativo serão cedidos pela Seed. Os diretores-gerais, diretores auxiliares e secretários serão cedidos pela Polícia. "O que muda é a organização e a implantação dos valores e de disciplina dos militares. Esta é uma parceria que dá certo e que a população tem demonstrado interesse em participar", conclui a secretaria estadual de Educação, Lucia Aparecida Cortez Martins.
O PROJETO DE INTERIORIZAÇÃO
Os candidatos às vagas oferecidas para os novos colégios da Polícia Militar irão fazer a prova de seleção no dia 16 de dezembro e as inscrições já estão encerradas. Em Cornélio Procópio, a unidade será no atual Colégio Estadual Alberto Carazzai. São ofertadas 60 novas vagas para o 6º ano do ensino fundamental e mais 60 para o 1º ano do ensino médio. A procura foi grande e 350 crianças foram inscritas. Já em Maringá, o 4º CPM será instalado na Escola Municipal João XXIII, e estão sendo oferecidas 90 vagas para o 6º ano do ensino fundamental e 60 para o 1º ano do ensino médio. Metade das vagas são destinadas para filhos de policiais militares.
No processo de adaptação dos colégios, a nova administração herda parte dos alunos já matriculados na unidade. Em Cornélio Procópio, a unidade educacional atualmente conta com 42 estudantes e em Maringá o desafio será maior. Atualmente a escola tem em seu corpo discente 1.221 alunos e a chegada dos PMs irá promover uma adequação já que os planos da nova administração é trabalhar com 32 turmas de 30 alunos cada, o que totalizaria 960 estudantes. Os prédios também serão submetidos a reformas estruturais, como pinturas e adequação. Além disso, o uniforme passa a ser obrigatório, e os alunos precisam obedecer regras e normas típicas de formação militar.
Segundo informações do governo do Estado, a governadora Cida Borghetti determinou nesta quarta-feira (4) um cronograma de transição para a implantação do colégio da Polícia Militar em Foz do Iguaçu. O projeto será implantado no Colégio Bartolomeu Mitre, o mais antigo da cidade, criado em 1927. A diferença de transição em relação às outras instituições que a PM administra será a adequação de atendimento de alunos surdos e mudos. A previsão é que o primeiro processo seletivo seja para 2020.
Atento ao processo de interiorização dos colégios da PM, o deputado estadual Tiago Amaral (PSB) tem participado das negociações para a criação de novas unidades. "Depois da criação do colégio de Londrina surgiram muitos pedidos. O próximo da fila deverá ser o de Pato Branco, mas em Cascavel, por exemplo, já foi designado o espaço. É uma área de um Centro Olímpico que precisa de adequações físicas, como construir salas de aula", explica Amaral. (P.M.)


