São Paulo, 4 (AE) - Executivos do mercado financeiro viram como uma demonstração de força do presidente Fernando Henrique Cardoso a saída do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho. "O presidente tomou posição", diz o diretor do banco BNL, Cláudio Lellis. Segundo o executivo, o presidente poderá até mudar a política econômica, mas sem mudar o ministro Malan, que saiu fortalecido do episódio.
Para Lellis, a demissão não foi surpreendente, especialmente depois das fortes críticas feitas por Carvalho à política econômica durante um seminário em Brasília."Depois dessa discussão pública, algo ia acontecer", disse Lellis. O presidente acabou optando por manter Malan no cargo.
Para o diretor do BNL, o discurso de Carvalho estava alinhado a setores políticos que querem incentivar o crescimento econômico rápido, preparando o terreno para as eleições municipais no ano que vem, que têm importância estratégica para os outros pleitos."O problema é que é difícil ter um crescimento econômico brusco e que seja sustentável a longo prazo e não um estelionato eleitoral como outros que já vimos", lembra o executivo.
Além disso, lembra o executivo do BNL, um forte crescimento econômico poderia prejudicar o ajuste das contas externas, que já está sendo lento. Apesar da desvalorização cambial, o País está tendo dificuldades para exportar, e, com altas taxas de crescimento, poderia voltar a importar muito.
Lellis acredita que Malan sai fortalecido porque, aparentemente, Fernando Henrique quer deixar no Ministério da Fazenda um ministro que seja menos vulnerável a pressões políticas.
Para o diretor do banco Sudameris, Rafael Cardoso, o presidente mostrou comando e, ao manter Malan, reafirma a postura de só promover crescimento econômico depois da realização das reformas econômicas estruturais.
Cardoso também não se surpreendeu com a demissão de Carvalho, principalmente depois das fortes críticas feitas pelo ministro durante um seminário, na quinta-feira, dizendo que, depois da briga entre os dois ministros, o presidente teria que fazer uma opção.

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