São Paulo, 03 (AE) - Para muitos executivos brasileiros presentes à reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI)
realizada na semana passada, houve uma melhora expressiva da percepção dos investidores internacionais em relação ao Brasil, que deve trazer resultados concretos, ainda este ano. "Acredito em mais emissões de empresas de primeira linha até o fim de novembro e na redução do custo das linhas comerciais", disse o diretor responsável pela área internacional do Unibanco, Carlos Henrique Catraio.
A situação somente não vai ser melhor porque o volume de negócios vai cair substancialmente em dezembro, com os bancos limitando o grau de exposição para evitar eventuais riscos decorrentes do bug do milênio. Mas a partir de janeiro, a expectativa é de uma retomada expressiva dos negócios.
A derrota do governo no Supremo Tribunal Federal, sofrida na última quinta-feira, por exemplo, não vai fazer com que os bancos batam em retirada novamente, disse Catraio. "O sistema bancário é diferente do mercado acionário, que reage dramaticamente aos acontecimentos." Mas o clima favorável pode aumentar ou diminuir na medida que as reformas forem sendo cumpridas.
Esse clima pôde ser observado também pelo diretor da área internacional do BBA Creditanstalt, Eduardo Vassimon. Nos dois últimos encontros da comunidade financeira internacional, o País ainda estava numa situação bastante delicada. Na reunião do FMI em outubro do ano passado, o Brasil sofria com a fuga de dólares, que provocou a queda acentuada no nível das reservas internacionais e levou o governo a mudar a política cambial.
Em março, dois meses após a liberação do câmbio, os investidores ainda resistiam ao Brasil, o que pôde ser notado na reunião do Banco Mundial (Bird) em Paris, de acordo com Vassimon . "Internamente já era possível ver que a situação não seria a catástrofe imaginada, mas os investidores internacionais ainda não tinham essa percepção", disse. Por isso, o Brasil ainda era considerado a bola da vez. Posto assumido, nesta reunião, pelo Equador.
Catraio acredita na redução do custo das linhas comerciais, que estão ficando mais abundantes. Nos próximos 30 dias, talvez seja possível o mercado fazer operações pagando em média 1% ao ano, mais a variação da libor (taxa interbancária do mercado londrino) para operações de 180 dias. Atualmente a taxa é de 1,5% ao ano, metade do preço pago nos meses de fevereiro e março. O ajuste, porém, não deve derrubar a taxa ao nível mais baixo da história recente do comércio exterior. Em julho de 1997
pouco antes de eclodir a crise da ásia, os bancos pagavam 0,5% ao ano também por um período de 180 dias, mais a libor - o nível mais baixo desde a moratória de 1987.
Vassimon afirma que até novembro, algumas emissões de eurobônus podem ser feitas no mercado internacional, incluindo o da própria República. Segundo relatório da Tendências Consultoria, o nível atual sugere que as reservas líquidas estejam, em dezembro, R$ US$ 1,5 bilhão abaixo do piso acordado com o FMI. Ou seja, o Brasil vai precisar de dólares para recompô-las.

mockup