Executivos de câmbio prevêem queda de exportações
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 09 (AE) - As exportações brasileiras devem cair significativamente em fevereiro, ficando bem abaixo dos US$ 4 bilhões registrados em fevereiro de 1998. Além de fevereiro ser um mês sazonalmente mais fraco, a pressão de alta sobre o dólar e a escassez das linhas externas de financiamento paralisaram praticamente as operações.
A avaliação é Carlos Eduardo Sobral, presidente do Forex
entidade que reúne executivos da área de câmbio internacional. Segundo ele, os operadores estão recendo poucas consultas, o que indica um mercado sem negócios.
"Com essa alta da taxa de câmbio, o exportador segura operações o mais que pode, na expectativa de uma taxa ainda melhor", analisou Sobral, explicando que essa retração é geral, não ficando restrita a setores específicos.
Além da crise cambial, os exportadores têm dificuldade de acesso a linhas externas de financiamento, desde outubro de 1998, quando da moratória da Rússia. Tradicionalmente, os bancos estrangeiros reduzem a oferta de linhas a países emergentes no fim do ano, para reduzir a exposição a riscos a seus balanços. Com a crise russa, houve uma redução maior dessas linhas já a partir de outubro, não em dezembro, com uma queda de até 40%.
"Se estivéssemos numa situação mais estável, essas linhas já demorariam um pouco mais a voltar", disse Sobral, prevendo a oferta de financiamentos apenas no fim do primeiro trimestre. Isso seria possível com a votação de algumas reformas constitucionais e, obviamente, se não tivesse ocorrido a mudança da política cambial. "Há mesmo o risco de uma redução maior de financiamentos", admitiu Sobral, sobre um possível agravamento da crise.


