Executivos consideram factíveis as metas de inflação
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio de Janeiro, 30 (AE) - Economistas e executivos do mercado financeiro consideram as metas de inflação anunciadas hoje pelo governo como factíveis, mas afirmam que esperavam taxas mais baixas do que as estabelecidas pelo novo sistema. "O governo deixou um espaço de manobra grande caso haja algum imprevisto", analisou João Teixeira, diretor do Dresner Bank. Segundo ele, o mercado já trabalha com número menores, principalmente, para os próximos dois anos. Teixeira explicou que a meta ficou mais fácil de ser alcançada porque o novo sistema tem um folga de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. "Um erro agora afetaria a credibilidade do sistema de metas."
O economista do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, destaca que a previsão abre espaço para novos reajustes nas tarifas públicas. "Acho importante ter um mecanismo de coordenação como este, antes esse trabalho de âncora da economia era feito pela taxa de câmbio", disse. O economista ressaltou, porém, que o fato do Governo anunciar uma trajetória de queda da inflação não significa que a economia está ajustada. "É importante combater o desequilíbrio nas contas públicas", ponderou.
O diretor do Dresner Bank Brasil também é enfático ao ressaltar a necessidade do Governo promover um ajuste fiscal. Segundo ele, a política monetária não pode ser o único instrumento de utilizado no controle da inflação no país. "As metas são realistas, mas somente serão cumpridas se houver um trabalho conjunto da taxa de juros com um programa de ajuste fiscal", explicou.
Já o chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Cota, ressalta que essas metas são factíveis apenas em um ambiente de economia desacelerada. Segundo ele, se houver um aquecimento da atividade econômica, o governo vai precisar elevar os juros e restringir o volume de dinheiro em circulação para atingir os números anunciados hoje. "Além disso tem o quadro externo, crises como a da ásia e da Rússia têm impacto direto no comportamento da economia brasileiro", disse. "Foi prudente o Governo dar uma margem de dois pontos percentuais para evitar erros", avaliou Cota.


