São Paulo, 16 (AE) - O empresário Ricardo Mansur, controlador do Mappin e da Mesbla, e os nove diretores do grupo afastaram-se hoje do comando das duas companhias, que passam por sérias dificuldades financeiras desde o fim do ano passado. Juntamente com os acionistas, a antiga administração do grupo contratou o executivo José Paulo Ferraz do Amaral, que já dirigiu a Mesbla, duas vezes, e a Lojas Americanas para cuidar da reestruturação das duas empresas.
"Não tenho cargo de diretoria, mas tenho poderes como se fosse o acionista controlador", afirmou Amaral, que disse não saber o valor total da dívidas das duas empresas com fornecedores, bancos e prestadores de serviços, mas enfatizou que as cifras são expressivas e a situação piorou nos últimos 30 dias.
Para ter uma radiografia das empresas e traçar o plano de reestruturação, ele pretende contratar uma auditoria externa, o mais rapidamente possível. Mas, de antemão, ele disse que a saída para recuperar a Mesbla e o Mappin "não escapa de procurar uma capitalização".
Antes de contratar a auditoria, a primeira decisão a ser tomada na próxima semana por Amaral será nomear uma nova diretoria. Segundo ele, o número de diretores será menor que o atual e os cargos ocupados por funcionários do próprio grupo.
Apesar de afirmar que conhece a Mesbla como a "palma da sua mão", o executivo disse que precisa de algum tempo para entender as duas companhias e não tem planos firmes de como será feita a reestruturação.
Na sua análise, a hipótese da concordata está descartada e a saída de converter os credores em acionistas, usada na época da concordata da Mesbla, também não será utilizada. Ele disse que a situação das duas empresas hoje não é tão grave quanto a da Mesbla, que devia em 1997 cerca de US$ 1 bilhão.
Com 60 lojas e 8,2 mil funcionários, Amaral não quis esclarecer se pretende fechar pontos-de-venda e demitir pessoal para reestruturar as duas empresas. Desde 97, já ocorreu uma redução 32% no número de funcionários e o corte, se ocorrer, será na administração.
Amaral não descartou a possibilidade de vender algum ativo da empresa, como pontos comercais e até o mobiliário, caso seja necessário para capitalizá-la imediatamente. "Qualquer coisa é possível e talvez tenhamos de nos desfazer de alguma coisa."
Ele relatou que existem grupos de investidores e empresas de varejo interessadas em adquirir participação nas duas empresas, mas esse interesse esbarra na falta de números precisos sobre a situação do grupo.
No caso das redes de varejo interessadas no negócio, elas são companhias com sede nos Estados Unidos ou Europa. Já os investidores interessados, são grupos admnistrados por instituições que já estão presentes no País.
Amaral disse que não pretende mudar o formato das lojas porque a Mesbla e o Mappin são as únicas lojas de departamento do País. "Esse modelo não foi superado e é o melhor aqui, porque não temos competição."

mockup