Executivo prevê que negócios de Internet têm 5 anos para se consolidar8/Mar, 16:34 Por Renata de Freitas São Paulo, 08 (AE) - Os novos negócios da Internet brasileira terão cinco anos para provar a que vieram. Nesse período, o mercado deve passar por um processo de depuração em que serão eliminadas muitas das empresas que vêm surgindo a cada dia, as chamadas "start-ups" ou iniciantes. Mas esses lançamentos ainda vão se multiplicar no Brasil nos próximos meses, numa tentativa dos empreendedores de conseguir montar um negócio de sucesso, que ocupe posição de destaque na América Latina e possa tornar-se uma estrela das bolsas de valores. Esse é o cenário desenhado pelo presidente da InternetCo a primeira incubadora de empresas de Internet do Brasil, Luis Roberto Demarco. Ele fez essas projeções com base em histórias de empreendimentos como a PointCast, empresa americana que chegou a receber propostas de compra de US$ 450 milhões e acabou vendida no ano passado por US$ 10 milhões. A PointCast criou há quatro anos a febre do serviço "push", que disparava no computador do internauta o tipo de informação que ele queria, dispensando-o de navegar na rede. A empresa foi considerada o grande negócio da rede, mas passou pelo cancelamento de uma IPO (oferta pública inicial de ações) antes de ser fundida com a Launchpad. "Na Internet brasileira tem mais gente jogando o jogo financeiro do que o jogo da Internet", disse Demarco. "No Brasil lança-se uma empresa de Internet em dezembro e já se vai abrir o capital em março", afirmou. "Tem muita pontocom no Brasil fazendo toda a sua estrutura voltada para o investidor", acrescentou. Segundo Demarco, os investidores em Internet querem tornar-se líderes regionais no seus nichos de mercado, replicando o sucesso das grandes empresas pontocom americanas. Assim, a Starmedia tenta ser a AOL latino-americana; o Submarino quer ser a Amazon da região; e os sites de leilão querem ocupar espaço semelhante ao que o E-bay conquistou nos EUA. "Empresas que consolidam posição mundial podem perder dinheiro por muitos anos", declarou Demarco, justificando a valorização do Amazon, maior site de vendas on-line do mundo. Mesmo com perdas de US$ 185 milhões no último trimestre de 1999, as ações da Amazon continuam subindo porque a receita não pára de crescer. Alcançou os US$ 676 milhões entre outubro e dezembro do ano passado, uma alta de 167%. "No Brasil, não se sustenta uma roda da fortuna sem algo mais rentável", alertou Demarco. O site Submarino, por exemplo, registrou perdas de R$ 10,8 milhões em 1999 e receita ligeiramente superior a R$ 1 milhão, resultados anunciados na semana passada. A empresa foi constituída em julho de 1999, substituindo a BookNet. Demarco é mais cético sobre os sites de leilão. "Não pegou", disse. "O leilão que deve pegar no Brasil é o dos fabricantes, como montadoras, que podem dar mais garantias", afirmou. Um critério para medir o nível de adesão ao leilão on-line, segundo Demarco, é o tráfego. Ele argumenta que o número de ofertas para cada produto leiloado ainda é muito baixo. Mesmo assim, a competição nesse nicho deve se intensificar. "Vai haver mais sites de leilão daqui a um ano, mas, em cinco anos, esse mercado se consolidará", disse. Segundo Demarco, o eBay já controla nos EUA 70% do mercado de leilões, enquanto a Amazon detém 20% e outros 12 mil sites ficam com os 10% restantes. O eBay continua se expandindo. A receita cresceu 161%, para US$ 224,7 milhões no ano passado, e o volume de vendas aumentou 192%, atingindo os US$ 901 milhões. Já o site MercadoLivre, lançado no Brasil em outubro de 1999, realizou vendas de apenas US$ 3 mihões até fevereiro e de US$ 7,5 milhões em toda as suas operações da América Latina. Mas os investidores estrangeiros, principalmente os americanos que não tiraram proveito dos primórdios da Internet no seu país, estão de olho nas start-ups latino-americanas. Apenas a Starmedia e ElSitio (O Site) são listados em bolsa de valores. "Há muita expectativa com ofertas públicas iniciais (IPOs), incluindo Submarino e Fiera, duas Amazons locais, e o leilão on-line Mercadolivre", relata um artigo do "Financial Times" de fevereiro. A UOL Inc. pretende fazer lançamento de ações, assim como a AOL Latin America, do maior provedor de acesso do mundo, que já pediu registro na Security Exchange Commission (SEC). "Eventos da vida real vão se repetir na Internet", declarou Demarco, citanto projetos ambiciosos que malograram, como o Jari, de mineração no Pará. Mas ele admitiu que o inverso também deve acontecer. "Muitos setores da indústria vão desaparecer, para ser substituídos por soluções virtuais", afirmou.