Executiva do PFL fecha questão no mínimo de R$ 177
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Christiane Samarco e Carmen Kozak 
Brasília, 30 (AE) - A Executiva Nacional do PFL fechou questão hoje na manutenção do discurso em favor do salário mínimo de 177 reais, admitindo apenas adiar o aumento para janeiro de 2001. "O partido sabe que sua força está na unidade", resumiu o vice-presidente nacional do PFL, senador José Jorge (PE).
O PFL quer uma saída honrosa para o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o Planalto trabalha nesse sentido. A Executiva concluiu que, rachada, a legenda não teria condições de vencer nenhum embate na base aliada e perderia a chance de manter o comando de uma das Casas do Congresso. "Fizemos a opção pela unidade porque de nada valeria dividir o partido para apoiar o mínimo de 151 reais e ver o PFL massacrado pelo PMDB e pelo PSDB", emendou outro dirigente do partido.
É com o argumento da coesão e com a ameaça de obstruir votações de interesse do governo e de derrubar, no voto, o mínimo de 151 reais que o PFL forçou a reabertura do diálogo.
Além de iniciar conversas com o Palácio do Planalto, o partido ainda conseguiu uma postura favorável do PMDB. Ontem (29), o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), atacou ACM, durante discurso na Casa.
Os articuladores do governo começaram desde cedo a buscar o apoio do PMDB à tese da antecipação do reajuste do mínimo de maio para janeiro de 2001, mas querem deixar o valor em aberto. No fim da tarde, a contraproposta foi lançada pelo líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), como uma alternativa para a abertura das negociações.
"Nós até topamos discutir saídas honrosas, mas fixar os 177 reais para 2001 nós não aceitamos", disse Geddel.
O primeiro consenso foi o de rejeitar o mínimo de 151 reais e evitar a divulgação de uma nota oficial de linguagem suave, produzida pelo publicitário Mauro Salles. Todos pediram um tom mais duro e incisivo contra o governo. ACM afirmou que a retirada do PFL da base governista não estava em discussão, mas disse: "O PFL pode até deixar do governo, mas jamais será expulso; sairá antes."
Decidido a manter o tom de ACM diante da opinião pública e do governo, o PFL encerrou a reunião da Executiva, insistindo nos 177reais. "Podemos até flexibilizar no prazo, mas não no valor", declarou hoje o presidente nacional da sigla, senador Jorge Bornhausen (SC). Ele aposta no crescimento da economia e no aumento da arrecadação como fontes de financiamento para o novo mínimo e vai insistir nesses argumentos com o presidente Fernando Henrique Cardoso, amanhã (31). Os dois viajam juntos para Santa Catarina, onde o presidente vai participar da inauguração de um gasoduto construído com recursos federais.
Na reunião de hoje, os pefelistas foram incisivos na defesa dos 177 reais. "Não queremos o rompimento, mas, se o presidente achar que o PFL não deve continuar na base governista
não há o que discutir", disse Bornhausen.
ACM e o partido seguirão juntos na defesa do mínimo de 177 reais porque estão convencidos de que, por trás da briga em torno do reajuste do salário mínimo, está o status de aliado preferencial do Palácio do Planalto e a disputa por fatias de poder dentro do Congresso e do governo federal.
"Não podemos dar o aumento reclamado pelo PFL agora, nem tampouco o fixar desde já para janeiro, porque estaríamos entrando no jogo do achismo e do voluntarismo", argumentou o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM).
Depois de uma conversa com o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, o líder governista levou ao Congresso os argumentos do governo contra a recusa à fixação do valor do mínimo para 2001 agora.
"Antecipar os 177 reais seria passar para o mercado investidor, que gera emprego no Brasil, a idéia de que a equipe econômica está ditando a realidade", disse Virgílio Neto, repetindo o presidente do BC. Segundo Fraga, toda a estratégia da equipe econômica este ano é a de buscar a confiança do investidor, divulgando os números da economia brasileira da forma mais transparente possível. Ele avalia que a antecipação do mínimo poria todo este esforço a perder, aumentando o risco Brasil.


