Executiva do PFL decide monitorar CPI do Narcotráfico
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2000
Por Hugo Marques 
Brasília, 12 (AE) - A Executiva Nacional do PFL decidiu hoje monitorar os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara e checar o currículo dos candidatos às eleições municipais, expulsando aqueles que tiverem o nome sujo na praça. As denúncias de envolvimento de parlamentares das bancadas do partido com o crime organizado estão preocupando a cúpula do PFL, que teme perder votos nas eleições municipais de outubro.
Além do senador Romeu Tuma (SP), o partido pôs o presidente da comissão de ética, o ex-deputado Nelson Morro (SC)
para acompanhar as investigações da CPI.
O PFL quer evitar escândalos envolvendo políticos do partido na campanha para as eleições municipais. O partido também vai unir o útil ao agradável e pretende fortalecer a imagem de Tuma, virtual candidato à Prefeitura de São Paulo. O líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), admite que a atuação do senador junto à CPI poderia lhe render votos.
"Acompanhar a CPI faz parte da estratégia." O deputado explicou que a "estratégia" é explorar ainda mais a imagem de Tuma, ex-diretor da Polícia Federal (PF), relacionado-a com a área de combate ao crime e segurança, que deverão ser as bandeiras da campanha este ano.
O partido também conta mais uma vez com a divisão das oposições. Tuma nega que a nova tarefa tenha qualquer relação com a campanha. Antes mesmo da decisão da executiva, o senador tinha feito um parecer pedindo a expulsão do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), acusado de ser o líder de um esquadrão da morte no Acre, do partido. Tuma disse que vai checar todos os arquivos possíveis para excluir os "maus elementos" das bancadas. "Vou procurar na PF e nas polícias estaduais os antecedentes", disse. O senador acredita que a decisão da executiva seja uma forma de proteger também parlamentares envolvidos em denúncias "políticas", sem fundamento técnico.
Ao mesmo tempo em que defendem a moralidade, políticos do PFL têm feito de tudo para defender acusados de crimes até decisão da Câmara. Oliveira tenta não aprofundar o assunto quando perguntado sobre o deputado José Aleksandro da Silva (PFL-AC), o Zé Alex, que assumiu a vaga de Pascoal e é apontado como responsável pelo desvio de recursos públicos no Acre, cujo pedido de cassação foi encaminhado. "O Aleksandro é assunto da Corregedoria da Câmara", disse.
Pascoal só foi expulso do PFL após depoimentos de dezenas de testemunhas, que associaram o deputado do Acre ao crime organizado.
O presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo
José Carlos Gratz (PFL), também acusado de envolvimento como o crime organizado, foi defendido hoje em reunião do partido pelo secretário de Fazenda do Estado, o deputado licenciado José Carlos Fonseca Júnior.


