Miami - Uma das mais famosas assassinas em série dos Estados Unidos condenada por ter matado seis homens quando exercia a profissão de prostituta em auto-estradas da Flórida e que estava disposta a ''voltar a matar'' foi executada ontem por injeção letal, o que satisfez seu desejo de morrer.
Aileen Wuornos, 46 anos, presa em 1991 e condenada à morte um ano depois, havia renunciado a qualquer recurso de apelação, apesar de seus advogados terem tentado atrasar a execução alegando demência. ''Não mereço compaixão. Seria jogar no lixo o dinheiro dos contribuintes'', disse a ré recentemente, diante de um juiz. ''Se tiver que passar o resto da minha vida na prisão, voltarei a matar'', alertou.
Conhecida como Dama da Morte, Wuornos matou seis homens de meia-idade entre 1989 e 1990, atraindo-os como prostituta em estradas ou fingindo estar enfrentando problemas mecânicos. ''Sou uma das pessoas que mais odeiam a vida humana, e voltaria a matar'', afirmou ao Supremo Tribunal da Flórida.
Abandonada ao nascer pelos pais, estuprada aos 13 anos de idade, mãe aos 14, alcoólatra e viciada em drogas, Wuornos exerceu a prostituição durante boa parte de sua vida adulta. A história dela inspirou dois filmes, uma ópera e vários livros.
Wuornos foi a segunda mulher executada na Flórida desde que se restabeleceu a pena de morte, em 1976. A partir dessa data, 805 pessoas foram executadas nos Estados Unidos 10 mulheres 56 delas em 2002.
Um total de 53 pessoas foram executadas na Flórida desde 1976, mas apenas duas em 2002. As execuções naquele estado haviam sido suspensas de fato devido a uma decisão da Suprema Corte americana que considerou inconstitucional uma condenação à morte no estado do Arizona proferida por um juiz, e não por um júri popular. Em nove estados da União, entre eles Flórida e Arizona, é o juiz que determina em última instância as penas de morte, e não um júri popular. Segundo alguns juristas, a decisão da Suprema Corte coloca em um ''impasse legal'' o sistema americano de condenações à morte.
O governador republicano da Flórida, Jeb Bush, irmão do presidente americano, pôs fim a essa suspensão e assinou a sentença de morte de Wuornos. Sua decisão foi criticada por ter motivações políticas, segundo seus adversários, uma vez que as eleições para governador serão realizadas dia 5 de novembro. Bush negou as acusações.

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