Execução ajuda na eleição de governadores, diz ministra alemã
Bonn, 04 (AE-REUTERS) - A Alemanha classificou hoje (04) a execução de um cidadão alemão, pelo Estado americano do Arizona, de selvagem e acusou os Estados Unidos de ignorarem tratados internacionais.
A ministra alemã da Justiça, Herta Daeubler-Gmelin, disse acreditar que a execução de prisioneiros como Walter LaGrand, que foi lavado à morte ontem à noite, é usada nos Estados Unidos para ajudar na reeleição de governadores.
"A pena de morte é selvagem", disse a ministra em uma entrevista a jornalistas. Mais cedo, ela afirmara à Rádio Alemã que a execução violou tratados internacionais e não é compatível com um estado de direito.
"Uma produção teatral como essa não tem nada a ver com Justiça ou proteção da sociedade", disse a ministra. "Ao invés disso, a execução contém elementos de um show armado para ajudar na reeleição de promotores e governadores".
O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, que fez um apelo por clemência ao presidente americano, Bill Clinton, evitou hoje criticar os EUA. Em vez disso, culpou o governo que o antecedeu pela demora em agir.
"A parte mais difícil do meu trabalho é tentar consertar os enganos cometidos por outros", disse Schroeder.
Segundo Daeubler-Gmelin, o atual governo alemão só ficou sabendo recentemente que autoridades de justiça dos EUA tinham falhado em passar a informação de que os irmãos LaGrand eram cidadãos alemães antes de seu julgamento em 1982.
De acordo com a ministra, os promotores do Arizona sabiam que os LaGrand eram alemães mas não informaram as autoridades alemãs sobre sua prisão e sentença até 1992.
Por causa disso, os irmãos não tiveram acesso à proteção consular estipulada em um tratado internacional assinado pela maioria dos países, incluindo Alemanha e Estados Unidos.
O caso dos irmãos LaGrand se transformou em um assunto nacional na Alemanha, país onde a pena de morte não existe.
Uma carta de Karl LaGrand - o irmão de Walter que foi executado na semana passada - a a um amigo foi publicada hoje em um dos principais jornais do país, o Sueddeutsche Zeitung.
"Eu apenas quero lhe dizer que se você não receber mais notícias minhas depois do dia 24 de fevereiro é porque o Estado do Arizona foi em frente com a execução", escreveu ele ao amigo de Munique. "E caso eu parta desse mundo, saiba que eu estarei em um lugar muito melhor".





