Excluído dá cartão vermelho a FHC
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domingo, 07 de setembro de 1997
Agência Folha São José dos Campos 
Mais de 200 entidades, associações e sindicatos de vários estados participaram ontem da manifestação do Grito dos Excluídos, em Aparecida. O favelado e integrante do Comitê para a Libertação dos Presos Políticos José de Oliveira, 50, disse que o governo FHC merece o cartão vermelho, símbolo da manifestação de ontem.
O povo está oprimido e excluído de toda riqueza. Queremos que o ato repercuta em Brasília para termos uma sociedade mais justa, disse. Rita Aparecida Moreira da Costa, 41, integrante da Central de Movimentos Populares, de São Paulo, disse que a manifestação de ontem foi mais importante que as comemorações do dia 7 de Setembro. Não temos nada para comemorar enquanto país independente, disse. Rita participou da marcha entre Roseira e Aparecida, que reuniu cerca de mil manifestantes.
Eles fizeram o percurso a pé. Houve congestionamento de cerca de três quilômetros. Segundo ela, FHC merece o cartão vermelho porque estaria excluindo as causas sociais das prioridades do governo.
O senador Eduardo Suplicy (PT), que também participou da manifestação, disse que os excluídos têm o direito de dizer ao presidente que ele não tem feito o suficiente para atender a todos.
A manifestação foi organizada pela pastoral social da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Central de Movimentos Populares (CMP).
O ponto alto da manifestação aconteceu com o grito dos excluídos, em que todos os manifestantes mostraram um cartão vermelho e gritaram palavras de ordem contra o governo FHC.
Parte dos bispos que acompanhava o ato em um palanque acabou recebendo cartões vermelhos entregues pelos militantes da CUT. A igreja não queria transformar a manifestação em um ato político.
O bispo auxiliar de São Paulo, dom Angélico Sândalo Bernardino, comparou as autoridades do Brasil à figura bíblica do bezerro de ouro. Autoridades dobram os joelhos diante do bezerro de ouro, sorrindo satisfeitas para a nação, salvando a moeda e os banqueiros, enquanto milhões de pessoas perdem o emprego e estão esmagadas sob os escombros da saúde e da educação sucateadas, disse.
Responsável pela Pastoral Operária, dom Angélico fez essa declaração durante o sermão da missa que ele celebrou no santuário de Aparecida.
O sermão do bispo foi bastante aplaudido pelas 30 mil pessoas que lotavam a basílica de Aparecida. Segundo a PM, havia 135 mil pessoas na cidade - a igreja calculou em 150 mil.
Em sua crítica ao Legislativo, dom Angélico disse que ele realiza conchavos com o governo. A nação assiste, escandalizada, a atos como a compra e venda de votos e a outras espúrias barganhas. A Justiça continua a serviço dos ricos, poderosos, chegando uma juíza de Brasília ao cúmulo de considerar lesão corporal seguida de morte o bárbaro assassinato do índio Galdino José dos Santos. (Leia mais sobre o assunto na página 7 deste caderno)


