Para a polícia, o uso de equipamentos móveis dá a sensação de  monitoramento constante
Para a polícia, o uso de equipamentos móveis dá a sensação de monitoramento constante | Foto: Fotos: Saulo Ohara



A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o Brasil é o quarto país do continente americano em número de mortes por acidentes de trânsito – a taxa é de 23,4 para cada 100 mil habitantes. O País tenta cumprir uma meta estipulada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de redução em 50%, no período 2011-2020, de casos fatais. Os equipamentos de fiscalização eletrônica constituem uma importante ferramenta no combate às infrações de trânsito e, consequentemente, na prevenção de acidentes e de vítimas fatais. Isso porque é consenso entre as autoridades de trânsito que uma das principais causas das ocorrências é a imprudência ao volante.
Segundo o inspetor-chefe da delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Londrina, Marcos Pierre Carvalho, passada metade do período estabelecido pela ONU, houve redução de 30% de acidentes com mortes na região, em relação a 2010.
Para chegar a esses números ele diz que a instituição parou de priorizar o uso de radares fixos para adotar o portátil. "Assim podemos realizar a fiscalização em vários pontos alternados."
Carvalho explica que os pontos críticos mudam constantemente e a política nacional da PRF optou pela sensação de fiscalização constante. "Quando se trabalha com radar fixo, o motorista chega perto, diminui a velocidade e logo acelera. Acreditamos que a redução da velocidade ao longo de toda a rodovia é importante, por isso a sensação de que a qualquer momento e em qualquer lugar o veículo pode ser fiscalizado pode ser mais efetiva", destaca. Segundo ele, na área de abrangência da delegacia de Londrina estão em operação seis radares móveis. "Nós fiscalizamos as rodovias 369, 153 e 376", enumera.
A adoção de equipamentos móveis, diz ele, tem ajudado na mudança de comportamento dos motoristas, principalmente no perímetro urbano. "Antes, grande parte das infrações era da própria região e agora nós temos constatado pela identificação das placas que são motoristas de outras regiões. Atualmente a nossa delegacia aplica de 500 a 600 notificações por dia", relata. Segundo ele, com a mudança na política de uso de radares, a maioria dos motoristas circulantes do município já sabe da fiscalização por radares móveis e tem reduzido a velocidade.
A adoção de unidades móveis acontece coincidentemente depois que vários equipamentos da BR-369 (tanto em direção a Cambé quanto a Ibiporã) foram furtados ou vandalizados. Porém, segundo o inspetor, não houve correlação entre os fatos. O porteiro Paulo Vasconcelos trabalha em frente a um desses aparelhos que foram destruídos. "Não creio que tenha sido um motorista por causa das multas. Acredito que algum bandido tenha quebrado porque a rodovia é rota de fuga da cidade", afirma. Já o auxiliar de logística Bruno Augusto Rosa ouviu de colegas que os vândalos são pessoas que costumam disputar "rachas" durante a madrugada na via. "Seja lá quem fez isso, quando se quebra um equipamento desses é dinheiro público, ou seja, é dinheiro nosso que é gasto. Quanto mais equipamentos vandalizados, são mais impostos que a gente paga", reclama.
Recentemente foram instaladas câmeras na região do Jardim do Sol (zona oeste), mas desta vez protegidas por grades. "É um bom investimento. Dá mais segurança para quem circula pela rodovia", analisa o borracheiro Valmir Rodrigues Moreno. O eletricista Bruno Fernando destaca também o local em que o novo equipamento foi instalado, a pelo menos 4,5 metros de altura. "Se alguém quiser furtar o equipamento essa altura dificulta o acesso. Vários equipamentos que foram quebrados na BR-369 estavam instalados em placas de sinalização em uma altura mais baixa", relata.

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A Polícia Rodoviária Estadual que tem trabalhado exclusivamente com o equipamento móvel, operado por um policial em trechos com alta incidência de acidentes. Questionado, o superintendente regional do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), Sergio Selvatici, afirma que existe um planejamento de implantar radares fixos ao longo dos trechos estaduais. "Os radares ou controladores de velocidade reduzem a velocidade em determinados pontos e contribuem para a redução do número de acidentes", aponta.
Desde o início de novembro está em vigor a lei 13.281, que modifica o limite de velocidade em rodovias de pistas simples, que passou de 110 km/h para 100 km/h, mesmo no trecho onde não há sinalização que regulamenta velocidade. Alguns motoristas podem se sentir confusos, já que as placas não foram substituídas. "Algumas rodovias, como a PR-445, não atingem essa velocidade, pois o limite é de 80km/h a 90 km/h. Em outras pistas simples, como a que liga Porecatu a Rolândia e Mauá da Serra a Ivaiporã, será preciso realizar a alteração das placas de sinalização", explica Selvatici, admitindo que o DER ainda não fez licitação para fazer a alteração.

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