Se você é daqueles que adora ficar horas com fones no ouvido curtindo aquela música que tanto te agrada, cuidado. A potência dos pequenos aparelhos MP3 não é tão insignificante quanto o tamanho deles e isso pode prejudicar, e muito, sua audição. A preocupação com o aumento no número de pessoas que apresentam complicações auditivas cada vez mais jovens fez com que a Sociedade Brasileira de Otologia lançasse uma campanha de conscientização sobre o uso dos aparelhos. A iniciativa acontecerá na prática em Londrina a partir dessa semana, por meio de docentes do curso de fonoaudiologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Um grupo de professores e alunos do curso percorrerão escolas para medir a potência dos aparelhos utilizados pelos jovens e apresentarão orientações sobre o uso adequado dos MP3.

O problema tem chamado cada vez mais a atenção de especialistas. Cerca de 15% a 20% da população em geral tem zumbido, sintoma que indica perda auditiva. Só no Brasil, isso significa algo em torno de 25 a 30 milhões de brasileiros. Destes, 15% se sentem incomodados com o barulho e procuram ajuda médica.

A fonoaudióloga Juliana Jandre Melo explica que cerca de 30% a 35% das perdas de audição são creditadas à exposição de sons intensos (como shows ou aparelhos eletrônicos) e a surdez relacionada a essa exposição é ''cumulativa''. ''Além da perda de audição, o som muito alto pode agredir o ouvido de outras formas, causando zumbido, fortes dores de cabeça, insônia e dificuldade de entendimento''.

As estatísticas revelam que pessoas jovens terão problemas auditivos muito antes que seus pais e avós. Para a docente da Unopar, Luciana Marchiori, a grande preocupação é que a perda da audição é irreversível. Segundo ela, a perda auditiva induzida por ruído é diferente do trauma acústico (quando ocorre algum som muito alto de uma só vez, como uma explosão, por exemplo) e vai acontecendo aos poucos lesionando o aparelho auditivo sem que a pessoa perceba. ''A pessoa sente um zumbido e em muitos casos pode se tornar uma perda permanente. O indivíduo muitas vezes não percebe que está ficando surdo e só descobre porque familiares passam a notar'', diz.

A partir dessa semana, quando no próximo dia 10 é comemorado o Dia Nacional da Audição, representantes do curso levarão o decibelímetro nas escolas e tentarão avaliar quanto os jovens têm prejudicado a audição. ''Alguns aparelhos são mais potentes que outros e chegam a atingir 100 decibéis, o que equivale ao som de uma turbina de avião. É preciso reduzir esse hábito e tomar os devidos cuidados, se não haverá cada vez mais jovens surdos'', finaliza Juliana.

Serviço - Escolas interessadas em receber a visita do curso de fonoaudiologia para a pesquisa podem entrar em contato com o curso de fonoaudiologia da Unopar pelo (43) 3371-7775.

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