Excesso de peso mais preocupante que fome
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Agência Brasil 
Brasília - O governo pretende acompanhar melhor o comportamento alimentar do brasileiro. O Ministério da Saúde fechou convênio com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para incluir dados sobre o consumo de alimentos na Pesquisa de Orçamento Familiar do ano que vem.
O anúncio foi feito ontem pela coordenadora de Política e Nutrição do ministério, Ana Beatriz Vasconcellos. ''Essa será uma ferramenta importante na orientação das políticas públicas do governo para a área alimentar'', destacou.
Segundo levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde, com base em pesquisas do IBGE, o excesso de peso tornou-se problema de política alimentar mais preocupante que a fome. Atualmente, a proporção de brasileiros acima do peso considerado ideal (40%) é dez vezes maior que a parcela da população que sofre de desnutrição (4%).
A representante do Ministério da Saúde destacou medidas para reduzir os índices de obesidade, como a regulamentação da publicidade de alimentos ricos em açúcar e gordura, em fase de consulta pública na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ela também ressaltou o desenvolvimento de pesquisas em parceria com as indústrias, para reduzir o teor de sódio nos alimentos. Presente no sal de cozinha e um dos principais responsáveis pelo aumento da pressão sanguínea, o sódio é usado como conservante em diversos produtos.
A promoção da alimentação saudável nas escolas também foi apontada como política para reduzir a obesidade nas crianças e nos jovens. Uma portaria conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde, publicada em abril, instituiu conteúdos de educação alimentar nas escolas públicas e privadas. Entre as atividades desenvolvidas estão aulas de alimentação saudável e o cultivo de hortas comunitárias.
Para Ana Beatriz Vasconcellos, por ser um país em desenvolvimento, o Brasil enfrenta problemas nas duas consequências da má alimentação: a desnutrição e a obesidade. ''As políticas públicas têm de lidar com essas duas situações presentes hoje na vida do brasileiro, esse é o desafio do Brasil hoje'', afirmou.
Na avaliação dela, a criação de políticas transversais dentro do governo é importante para combater os problemas de alimentação. Ela cita os programas sociais, como o Bolsa Família, que distribui dinheiro para famílias com renda per capita inferior a R$ 120 mensais. Os programas de transferência de renda, por exemplo, são um dos melhores meios para combater a desnutrição que ainda persiste no país, disse.
O levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde aponta que a desnutrição, apesar de ter caído pela metade nos últimos 30 anos, continua alta entre mulheres de regiões mais pobres. Na zona rural da região Nordeste, 7,2% das mulheres são afetadas pela falta de alimentação - quase o triplo dos 2,8% registrados nacionalmente.


