Excesso de ozônio no ar deixa 3 estações em SP com má qualidade
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2000
Por José Gonçalves Neto 
São Paulo, 25 (AE) - A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) registrou hoje má qualidade do ar em 3 das 12 estações que medem os níveis de ozônio em São Paulo: em Santana, na zona norte; Pinheiros, na zona oeste, e Ibirapuera, zona sul. Das outras nove, seis apresentavam qualidade razoável e apenas uma, Cerqueira César, na zona sul, registrou boa qualidade do ar. No Ibirapuera, o índice chegou a 160 microgramas de poluentes por metro cúbico, quando o normal é até 100. Em Santana, foram registrados 133 e em Pinheiros, 120.
Agressivo ao organismo, em grande concentração, o ozônio deixa as pessoas com os olhos vermelhos, lacrimejantes, garganta irritada, além de provocar crises de bronquite em quem tem predisposição para distúrbios respiratórios. Por ser oxidante, o ozônio também provoca o envelhecimento da pele. Fatores - O gás tem ação corrosiva e reduz a vida útil dos materiais. Classificado como poluente secundário, é formado em consequência da incidência de luz solar sobre hidrocarbonetos liberados durante a combustão da gasolina, diesel e outros combustíveis. Quanto maior a luminosidade, maior a porcentagem de quebra das moléculas lançadas no ar pelos escapamentos de automóveis. Essas moléculas formam o gás pela combinação com o óxido de nitrogênio.
De acordo com o gerente do Departamento de Qualidade Ambiental da Cetesb, Cláudio Alonso, esse foi o caso de hoje. "O tempo nublado havia nos poupado do problema; como hoje houve aumento de luminosidade, criaram-se condições favoráveis para o problema". Alonso ressalvou, porém, que o níveis medidos ainda não são alarmantes. Para o fim de semana, a meteororologia prevê melhores condições para dispersão desses poluentes. Segundo Alonso, a incidência maior do problema ocorre principalmente na primavera e no outono.
Ainda pouco conhecida, a poluição por ozônio tem características distintas. Enquanto a de outros poluentes está relacionada diretamente com a emissão de partículas na atmosfera pelos veículos, a do ozônio tem relação com fatores climáticos. "Estamos pesquisando quais são as condições de tempo, temperatura e luminosidade que provocam o aumento desse poluente", disse Alonso.
Segundo a meteorologista Patrícia Madeira, da empresa Climatempo, hoje a cidade apresentava as condições meteorológicas "ideais" para a maior incidência do gás. "O dia foi ensolarado e com pouco vento, por causa de uma massa de ar quente sobre a cidade". Patrícia destacou a ausência de ventos em várias camadas da atmosfera, até 10 mil metros, aproximadamente.


