EXCESSO DE GORDURA - A pesada tarefa de emagrecer
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de agosto de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Todo mundo que já quis emagrecer provavelmente ouviu a tão ''batida'' fórmula - diminuir a ingestão de calorias e aumentar o gasto de energia. Parece simples, mas não é. Comer menos e praticar atividades físicas implicam em mudança de atitudes que foram sendo construídas ao longo de toda uma vida. A boa notícia é que, hoje, a obesidade não é mais vista como coisa de ''preguiçoso'', mas como uma doença multifatorial e de tratamento complexo. E a dura realidade é que não dá para fugir da reeducação alimentar, nem mesmo quem passou pela cirurgia de redução de estômago.
Segundo a nutricionista Cristina Tomasetti, professora da Universidade Norte do Paraná (Unopar), a obesidade é caracterizada pelo excesso de gordura no tecido adiposo, cujas células ficam maiores ou menores dependendo da quantidade de gordura.
O número de células desse tecido é formado ao longo da fase de crescimento. Por isso, na infância, a doença é considerada mais preocupante - além de levar cedo ao desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e alterações no colesterol, pode propiciar a formação de mais células adiposas e mais facilidade para engordar. ''Pesquisas apontam que 30% das crianças obesas serão adultos obesos'', ressalta.
Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde pública, a obesidade normalmente é diagnosticada pelo índice de massa corporal (IMC). Chega-se ao índice dividindo o peso pela altura ao quadrado (veja infográfico). Se o resultado for entre 25 e 30, já é considerado sobrepeso. Acima de 30, obesidade, e maior que 40, obesidade mórbida.
Em crianças, o diagnóstico da obesidade leva em conta não só o peso e a altura, mas a idade, o ritmo de crescimento e a fase de maturação sexual. Números da OMS apontam que de 25% a 30% das crianças em idade escolar estão com sobrepeso. ''Culturalmente a obesidade não é vista como algo positivo e principalmente as crianças sofrem com isso, por causa dos apelidos e da discriminação''.
As causas da patologia, que, segundo dados da OMS já atinge 300 milhões de adultos no mundo, são em sua maioria comportamentais - má alimentação e inatividade física. ''O número de casos de obesidade causados por distúrbios hormonais não é relevante'', ressalta.
Um tratamento efetivo da obesidade, afirma a nutricionista, passa pela mudança do estilo de vida. É aquilo que todo mundo já sabe, mas que é tão difícil de se fazer - diminuir os açúcares e gorduras, aumentar o consumo de frutas, verduras e cereais, e fazer atividade física diariamente. Isso tudo para o resto da vida, não só por uma semana, 15 dias ou um mês. ''A gente não pode esquecer que o alimento é um fator de prazer e de integração social, por isso, a mudança é feita a médio prazo. E quanto mais excesso de peso, maior é o tempo necessário para aparecerem os resultados positivos''.
Como não é simples, ''pois você está mexendo com hábitos que a pessoa passou a vida inteira formando'', e não é de uma hora para outra que se consegue emagrecer, acaba-se caindo facilmente em ''armadilhas'', na busca de soluções ''mais fáceis e rápidas'' -dietas ''milagrosas'' ou medicamentos. ''A pessoa quer uma solução rápida, mas não leva em conta o tempo que levou para ganhar aquele excesso de peso'', lembra.
O grande problema dessas dietas, segundo Cristina, é que ou têm muita restrição calórica ou tiram nutrientes essenciais para o organismo. Caso das dietas da sopa, da proteína, dos shakes. ''Aí a pessoa não consegue seguir porque a dieta é muito restritiva, e ainda pode desencadear disfunções metabólicas, carências nutricionais específicas e desidratação'', explica. Nessas dietas a pessoa até emagrece, mas volta a engordar, porque não mudou hábitos. ''A pessoa fica com a falsa idéia de que 'já fez de tudo' para emagrecer, mas não se deu o tempo necessário para reestruturar hábitos''.
A massagista Ruth Pereira Silva, de 47 anos, engordou 40 quilos em um ano. Isso há 10 anos atrás, e agora ''sofre'' para conseguir emagrecer: ''Estou fazendo dieta com nutricionista e já emagreci 12 quilos, mas é difícil''.


