Excesso de exercícios pode provocar aumento da incidência de doenças, diz Cooper; médicos discordam
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domingo, 14 de março de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 15 (AE) - O excesso de exercícios físicos pode provocar aumento da incidência de doenças como câncer e problemas cardíacos em atletas, segundo o especialista norte-americano Kenneth Cooper, autor de 15 livros sobre qualidade de vida e prevenção de doenças por meio do esporte. O corredor norte-americano Steve Scott e o patinador Scott Hamilton, ambos campeões olímpicos, desenvolveram câncer de próstata aos 30 e 34 anos, respectivamente.
Em entrevista coletiva em São Paulo, Cooper informou ter descoberto que atividade física em excesso, como correr mais de 50 quilômetros por semana, pode provocar danos ao material genético. O oncologista Sérgio Simon, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, vê com ceticismo a possibilidade de a atividade física ser responsável pela formação de um tumor. "O esporte não é considerado um fator de risco", avaliou. Segundo Simon, trata-se apenas de uma hipótese.
O cardiologista Otavio Celso Eluf Gebara, do Instituto do Coração (Incor), informou que não há dados científicos suficientes para sustentar essa hipótese. No entanto, um estudo de um grupo de Boston, nos Estados Unidos, concluiu que há um risco maior de enfarte em pessoas sedentárias que começam abruptamente a praticar exercícios sem moderação. Cooper avaliou que o dano provocado pelo excesso de exercícios ocorre 24 horas após a atividade e pode ser evitado com o consumo de suplementos de vitamina E. As vitaminas possuem uma ação antioxidante, que bloqueia os danos no material genético provocado pelos radicais livres. "Além do excesso de exercício, o cigarro e a poluição provocam aumento de radicais livres no corpo", diz o médico, acrescentando que a presença dessa substância está relacionada a cerca de 50 outras doenças, como aterosclerose, catarata e artrite.
Os antioxidantes mais conhecidos são as vitaminas A, E e C - que não são produzidas pelo corpo e precisam ser consumidas para suprir suas necessidades. Cooper informou que a dose de vitamina C recomendada, cerca de 1 grama por dia, é encontrada em 13 laranjas. No caso da vitamina E, a dose diária recomendada é de 400 Unidades Internacionais, encontrada em dois copos grandes de óleo vegetal, que contêm cerca de 8 mil calorias. "Essas quantidades de laranja e óleo são inviáveis, o que torna os suplementos vitamínicos fundamentais". Exercício - O especialista recomenda, além de uma boa dieta adicional de suplementos vitamínicos, uma quantidade moderada de exercícios físicos. Para os pacientes de sua clínica, situada em Dallas, no Texas, Cooper desenvolveu um método de condicionamento. Uma pessoa que realiza caminhadas de 3.200 metros em menos de 30 minutos quatro vezes por semana pode ter dois anos e meio a mais de vida, de acordo com Cooper. Pessoas mais atléticas podem fazer 45 minutos de aeróbica quatro vezes por semana. "Essa atividade adicionará cerca de três anos a mais de vida", ressalta.
Para atletas que fazem exercício durante a semana, o médico recomenda um acompanhamento para prevenir doenças. Para evitar problemas de saúde entre os atletas, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) fez um acordo com o Laboratório Roche para que a empresa ofereça complexos vitamínicos ao grupo de atletas que participará dos Jogos Panamericanos, este ano, e da Olimpíada, no ano que vem. "O acordo também prevê palestras para os atletas e os treinadores sobre a importância de vitaminas", diz o diretor técnico do COB, Marcos Vinicius Freire. Em troca, as embalagens destes produtos terão aros olímpicos, identificando-os como um produto oficial do COB.


