Excesso de chuva é explicação para enchente
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Rogério Wassermann 
São Paulo, 11 (AE) - As enchentes são novas, mas as explicações continuam as de sempre: choveu muito em pouco tempo, sobrecarregando o Rio Tietê com uma vazão superior à sua capacidade. As obras necessárias para reduzir o problema também são conhecidas, mas se arrastam há vários anos, e até décadas, sem que a população da cidade veja seus resultados.
Tanto a Prefeitura como o governo do Estado prometem que em no máximo três anos estarão concluídas as principais obras de combate a enchentes, que incluem o rebaixamento da calha do Rio Tietê, a construção de piscinões para contenção das águas das chuvas ao longo de rios e córregos, barragens e diques.
"O que aconteceu é que nós tivemos ontem uma chuva forte à tarde e outra mais forte ainda à noite, quando as bacias já estavam bastante carregadas", explicou o diretor do Centro Tecnológico de Hidráulica do Departamento de águas e Energia Elétrica (CTH-Daee), Mário Thadeu Leme de Barros.
Em São Miguel Paulista, na zona leste, onde foram registrados os maiores índices pluviométricos, choveu 91 milímetros das 7 horas de ontem às 7 horas de hoje. "É um volume muito grande, principalmente porque mais de 60% disso ficou concentrado em duas ou três horas", afirmou Barros. Paralisação - Mas o que deveria ser feito para evitar as enchentes? "Quando a chuva está distribuída em toda a extensão da cidade, como hoje, só o rebaixamento da calha do Tietê, previsto desde 1970, resolveria", afirmou Benedito Braga, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). "Para as chuvas localizadas, as obras dos piscinões já reduziriam as enchentes".
Dos sete novos piscinões projetados pela Prefeitura, apenas dois tiveram suas obras iniciadas. As demais estão paralisadas por problemas com pagamento de desapropriações, invasão das áreas destinadas à obra e falta de licenciamento ambiental.
"As obras da Prefeitura podem não estar na velocidade desejada, mas não estão paralisadas", garantiu o secretário de Obras e de Vias Públicas, Alfredo Mário Savelli. "Não queremos fugir da nossa responsabilidade, mas sem o rebaixamento da calha do Tietê a Prefeitura pode fazer todo o seu programa de obras que as enchentes não acabarão". Savelli evitou, porém, jogar a culpa pelas enchentes sobre o governo do Estado. "Eles estão fazendo a parte deles e nós a nossa". Financiamento - Da parte do Estado, o governo garante que a primeira parte da obra do rebaixamento da calha do Tietê, entre a Barragem Edgar de Souza e o Cebolão, está dentro do prazo, com entrega prevista para fevereiro do ano que vem. "Agora, há de se fazer a mesma coisa entre o Cebolão e a Penha", disse hoje o governados Mário Covas. Segundo ele, como a primeira parte teve custo menor que o esperado, o dinheiro não gasto poderá bancar a segunda parte, dependendo somente do aval dos financiadores japoneses. "As primeiras negociações apontam nessa direção", garantiu o governador.
O rebaixamento da calha aumentaria a vazão do Tietê dos atuais 600 metros cúbicos por segundo para 1.000 metros cúbicos por segundo. Em alguns episódios críticos, a vazão chega a ultrapassar os 900 metros cúbicos por segundo e por isso é possível imaginar que em pouco tempo ela estaria superada. "Por isso é que são necessários os piscinões", explicou o superintendente do Daee, José Bernardo Ortiz.
O governo do Estado está concluindo a construção de seis piscinões no Rio Tamanduateí, mas o projeto prevê 40 no total. No Córrego Pirajuçara estão sendo iniciadas as obras de dois piscinões e mais seis estão em projeto. "Com essas obras concluídas, em vez de termos uma enchente a cada semana teríamos uma a cada dez ou 15 anos, em ocasiões especiais", garantiu Ortiz.


