Excesso de carne e lácteos expõe organismo à infecção
São Paulo- Um artigo da revista britânica ''Nature'' mostra como uma dieta rica em alimentos de origem bovina torna o organismo humano mais vulnerável a uma forma severa de infecção alimentar. Isso em virtude da Escherichia coli, um microrganismo encontrado nas vísceras de mamíferos e aves. Há linhagens da E. coli que causam doenças. Um exemplo são as bactérias que produzem a toxina Shiga, substância capaz de provocar hemorragias no sistema digestivo e nos rins.
A linhagem responsável por 90% dos surtos endêmicos da doença é conhecida como E. coli O157:H7. Ela produz a toxina Shiga de forma muito agressiva e pode levar à insuficiência renal grave. O hábitat da linhagem O157:H7 são os intestinos dos bois. Carne, leite ou derivados contaminados servem como veículos para a infecção.
Os mesmos alimentos que carregam as bactérias nocivas são ricos em ácido siálico N-glicolilneuramínico (Neu5Gc, na sigla em inglês), uma substância que não é produzida naturalmente pelo organismo humano. O Neu5Gc é digerido e usado na construção das membranas celulares. No artigo da ''Nature'', pesquisadores mostram como as toxinas Shiga utilizam o Neu5Gc como porta de entrada para o interior das células.
Na Argentina, onde o consumo de carne é duas vezes maior do que no Brasil, a incidência da infecção é comprovadamente maior. Segundo João Ramos Costa Andrade, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), na Argentina há cerca de 300 casos anuais da síndrome urêmica hemolítica, quadro de falência renal que acompanha a forma mais grave de infecção por E. coli. Até agora, o Brasil só registrou as formas mais leves, cujo sintoma mais comum são as diarréias com sangue.





