Excedentes de monômero da Innova não serão vendidos à Basf
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terça-feira, 28 de dezembro de 1999
por Viviane Mottin 
São Paulo, 27 (AE)- A Innova, do grupo Perez Companc, vai iniciar a operação de uma unidade de monômero de estireno no pólo petroquímico de Triunfo (RS), em janeiro. Boa notícia para o Brasil, carente da matéria-prima do poliestireno - PS, plástico muito usado na produção de descartáveis e embalagens. Porém, segundo o gerente de logística da indústria, João Carlos Prytoluk, o excedente de 68 mil toneladas (t) ano da capacidade instalada de 180 mil t/ano da unidade da Innova, não deverá abastecer a Basf. "Há clientes que vão pagar um preço melhor do que a Basf", prevê Prytoluck.
Segundo o mercado, a EDN Estireno do Nordeste, controlada pela Dow Química, que poderia fornecer o monômero à Basf, também não terá condições de fazê-lo, pois sua produção está comprometida com contratos já fechados.
A Basf depende desse insumo para colocar em prática a expansão e a implantação de unidades produtoras de PS, com investimentos de US$ 42 milhões, anunciados em 30 de novembro; sem ele, terá de importar a matéria-prima. A norte-americana Lyondell, por exemplo, uma das maiores produtoras de monômero do mundo, pode trazer o insumo dos Estados Unidos, porém com imposto de importação de 13% sobre o custo de US$ 870 a tonelada - preço praticado no mercado brasileiro.
O que está em jogo nessa oferta e procura de matérias-primas é a produção em escala da resina termoplástica. Mesmo se a Dow tivesse excedentes de monômero de estireno, dificilmente forneceria à Basf, cuja meta é ser a número um na produção mundial de PS. Para isso, a Basf teria que tomar o lugar da Dow nesse ranking.
Três unidades - Para a produção de uma tonelada de PS é necessária praticamente uma tonelada de monômero de estireno. Como a Innova iniciará produção de 120 mil t/ano de PS cristal (50 mil t/ano) e PS de alto impacto (70 mil t/ano) a partir de outubro, no pólo de Triunfo, o excedente será de 68 mil t/ano.
O investimento fixo nas três fábricas, em uma unidade auxiliar, mais a provisão de US$ 7 milhões para despesas não previstas e a compra de uma unidade de etil-benzeno da Petroflex é de US$ 180 milhões. A última parte, de US$ 80 milhões, foi financiada na semana passada pelo International Financial Corporation (IFC), uma espécie de BNDES do Banco Mundial. O empréstimo será pago em 8 anos e as despesas financeiras têm por base a taxa Lybor mais 3% - hoje, um total de 9,5% ao ano.
Somando despesas financeiras mais capital de giro durante as obras, o gerente da Innova calcula que o valor real do empreendimento é de US$ 255 milhões. A partir de 2001, considera ele, a Innova e a Pasa (empresa do grupo Perez Companc
na Argentina, que também produz PS) ofertarão 185 mil t/ano da resina, para a América do Sul.
Atendendo à demanda - Hoje, a Pasa tem capacidade instalada para a produção de 65 mil t/ano de PS, das quais 90% são consumidas no mercado argentino ou exportadas ao Chile. Só 10% são vendidas ao Brasil. No mercado interno, a EDN produz cerca de 100 mil t/ano e a Basf tem capacidade instalada e matéria-prima para a produção de 65 mil t/ano.
Neste ano, a demanda brasileira pela resina foi de 280 mil t, igual a de 1998. Desse total, 120 mil t foram importadas, afirma João Carlos Prytoluk. Em 2001, diz ele, a oferta no continente sul-americano será de 350 mil t/ano. Da produção brasileira, a Innova ainda não sabe quanto irá exportar, mas é certo que irá fornecer PS para a italiana Enichem, do grupo ENI, que fornece a tecnologia para a Innova.
Após 13 anos de jejum, aliás, a Europa voltou a comprar resinas termoplásticas no hemisfério sul - porque os Estados Unidos, fornecedor anterior, tiveram superdemanda interna. Um dos motivos pelos quais, dizem os transformadores, faltaram resinas no Brasil, este ano. Inclusive PS.


