São Paulo, 21 (AE) - O parque petroquímico nacional tem capacidade instalada para a produção de 4,5 milhões de toneladas ao ano de resinas termoplásticas. Como a demanda anual por esses plásticos - matérias-primas de embalagens flexíveis e rígidas, peças e componentes de automóveis e eletroeletrônicos, produtos médico-hospitalares etc. - beira as 3,3 milhões de toneladas, o Sindicato das Resinas Sintéticas do Estado de São Paulo (Siresp)
afirma que não faltarão insumos para a indústria de transformação. Ou seja, a indústria de bens de consumo final e intermediário não precisará importar termoplásticos. Segundo o sindicato dos fornecedores, as cerca de 1,2 milhão de t/ano que não forem consumidas no mercado interno poderão ser exportadas.
Mercados receptivos não faltam, a exemplo da China, que se abre mais para o mercado internacional e compra resinas da Coréia do Sul, que pára em março. Isso fará com que o maior consumidor mundial de resinas vá às compras em outros países, inclusive no Brasil. A alta do petróleo, que foi a mais de US$ 30 por barril - preço sem precedentes na história, nem na Guerra do Golfo, em 1991 -, é uma tentação para os exportadores, admitem os executivos do setor de comércio exterior das companhias petroquímicas.
A tonelada do polipropileno (PP, plástico para embalagens rígidas, peças para eletroeletrônicos e automóveis, entre outros), hoje, é importada por US$ 750 (frete de US$ 100, incluído), na áfrica do Sul e Nigéria; por US$ 650 (frete de US$ 45), na ásia; e por US$ 750, na Europa - grande importador de todos os países, desde que os Estados Unidos pararam de exportar
por causa da alta do consumo interno, em 1999.
O custo do PP no Brasil, sem impostos, é de US$ 620. Ou seja
o transformador brasileiro de plásticos não deverá importar matérias-primas, e os produtores de resinas termoplásticas terão impulso exportador. "Com a alta do petróleo no exterior, o preço das resinas no Brasil tende a ficar mais competititvo, o que favorece as exportações de bens de consumo final e intermediário", contrapõe Alexandrino de Alencar, corroborando que a indústria de matérias-primas dará prioridade de atendimento aos produtores de plástico do mercado interno. Informações do setor de transportes dão conta de que estão faltando contêineres nos portos brasileiros, devido à grande movimentação das exportações de produtos em geral.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em 1998 foram exportadas 600 mil t de resinas termoplásticas, e os números do ano passado não estão fechados. Embora dados preliminares da Abiquim mostrem que as exportações caíram 12,15% no último trimestre de 1999 em comparação com o resultado do mesmo período de 1998, profissionais veteranos em importação e exportação de resinas afirmam que as vendas externas estão em alta desde novembro do ano passado.
Historicamente, esse período sempre marcou a redução da atividade industrial interna e, por isso, há mais excedentes para exportação. O aquecimento deve perdurar até março. "E o que acontecerá depois é uma grande incógnita, porque a China vai buscar resinas na Europa, no Brasil e na Argentina", prevê Mariângela Guazelli, diretora da trading Chemi Market.
Embora tenha passado por uma fase crítica no mercado internacional, no início de 1998, quando a tonelada chegou a ser cotada por US$ 320 no Golfo dos Estados Unidos (espécie de preço de referência, e o menor desde 1981), o PVC recupera espaço em todo o mundo. Hoje, no mercado spot (flutuante), a tonelada custa US$ 800 e dentro dos Estados Unidos sai por até US$ 980. No Brasil, o preço não é revelado, porque depende da quantidade comprada, das condições de pagamento, da garantia de liquidez e da fidelidade do cliente com a indústria. Mas, de acordo com a diferença de preços entre as commodities plásticas no exterior e no Brasil, o PVC pode estar custando menos no mercado interno.
O consumo de PVC no Brasil, este ano, é estimado em 680 mil t, das quais 40 mil serão compradas da Argentina, onde a Solvay Indupa começou a operar uma indústria com capacidade instalada para 210 mil t, no ano passado. A demanda argentina é de 140 mil t/ano, significando que ainda sobram 30 mil t/ano para consumo no mercado brasileiro. Teoricamente, somente o PVC e o poliestireno entram na pauta de importações de resinas termoplásticas no Brasil. Na prática, caso a indústria de resinas seja impulsionada a vender o produto no exterior, as importações poderão ser generalizadas.
Esse impulso pode ocorrer por conta da alta das commodities e pela necessidade de amortizar dívidas em dólar. Segundo o mercado, a venda externa de resinas serve para capitalizar indústrias petroquímicas no curto prazo e em dólar, via contratos de financiamento de exportação, com prazo de entrega da mercadoria para até 12 meses. A indústria recebe o crédito antecipado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), único no País que financia as exportações, e salda o débito após o pagamento do produto exportado. Com os dólares obtidos salda parte da dívida em dólar ou ganha fôlego para renegociá-la. Daí o receio da falta de matérias-primas no mercado interno.
No Brasil, a Trikem (Odebrecht Química) e a Solvay, juntas, produzem 650 mil t/ano, ocupando a capacidade instalada total. A capacidade instalada mundial para a produção de PVC é de 27 milhões t/ano. Em 1999, o consumo foi de 25 milhões t, somando faturamento de US$ 23 bilhões. A ásia consome 7 milhões t/ano, mais de um terço da produção mundial, mas fabrica 5,9 milhões t/ano (Coréia do Sul, China e Japão). A Coréia, que fornece resinas à China, vai deixar de produzir cerca de 100 mil t em março, quando pára para manutenção. Só a diferença entre produção (1,5 milhão t/ano) e demanda (2,6 milhão t/ano) da China é maior do que a capacidade instalada da Argentina e do Brasil juntos (860 mil t/ano) em PVC. Isso, no ano passado, quando as portas da Organização Mundial do Comércio ainda não haviam sido abertas ao país.
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) estima que as exportações de bens de consumo final e intermediários de plásticos vão dar um salto de 20%, passando dos US$ 420 milhões, em 1999, para US$ 504,2 milhões, neste ano.
Em volume, explica a Abiplast, é difícil avaliar, porque o preço do que é exportado tem mais a ver com o valor agregado da mercadoria e não com o peso e tamanho dos produtos. Já as importações desses produtos, que no ano passado somaram cerca de US$ 1 bilhão, conforme estimativa da Abiplast, deverão cair 10%, indo para US$ 950 milhões.
A Sansuy planeja incrementar as exportações, conquisatndo novos mercados. No alvo das mantas, lonas, filmes e placas de PVC, para os segmentos de impermeabilização do solo, cobertura de caminhões e silos, agroindústria e comunicação visual, estão países do Oriente Médio e da Europa. "Vamos redirecionar nossas vendas externas, já que os países latino-americanos, como Chile e Argentina, tradicionais clientes, baixaram as importações em geral", informa o diretor da Sansuy, Juan Biester Giere.
Na prática, a empresa quer exportar US$ 15 milhões, o que representa 5 mil t de PVC transformado. As exportações significam 15% do faturamento e 20% da produção anuais. Segundo Juan Giere, o volume de exportações será igual ao do ano passado. A única diferença é a rota comercial.
Segundo o gerente de Exportação da Plasútil, Everson Targas, a boa saúde de uma empresa é equilibrada por doses anuais de exportação da ordem de 30% a 40% do que produz. "Isso dá fôlego para a empresa, dificilmente ela quebra", avalia Targas. No ano passado, a Plasutil exportou US$ 3 milhões em utilidades domésticas, ou 7% a 8% do faturamento anual de US$ 40 milhões. A indústria transforma 10.800 t/ano de plásticos em 300 itens de uso doméstico. Para este ano, a indústria prevê crescimento entre 10% e 20% das vendas externas.
"Só na feira de UD nos Estados Unidos, em janeiro, conseguimos contratar exportações no valor de US$ 250 mil, que equivale a toda a venda que fizemos àquele país no ano passado"
demonstra o gerente da Plasutil. A indústria garantiu a venda de 13 contêineres de 40 pés (os maiores) recheados de baldes, bacias, talheres de nylon preto antiaderente e banheiras para crianças. Cada contêiner carrega a média de US$ 15 mil em mercadorias.
No Brasil, além do custo da resina ser um pouco inferior ao cobrado em outros países, as indústrias se equipam para exportar com máquinas mais velozes e moldes com maior número de cavidades - local de uma forma onde é injetado ou soprado o plástico dando forma a um novo produto.
"Nosso preço é médio: maior do que o da China e menor do que o de países mais desenvolvidos. Mas temos qualidade, variedade de cores e design modernos", garante Evesron Targas, que lista três requisitos para conquistar o exterior. "Vender a boa imagem do Brasil, da empresa e os próprios produtos." Na feira dos Estados Unidos, ele observou que os produtos norte-americanos são de primeira linha, enquanto os brasileiros são de segunda, e os da China e de Taiwan, de terceira.
A Plasútil exporta há 10 anos, e seu maior cliente é a Argentina, que no ano passado comprou US$ 1,5 milhão, representando a fatia de 50% das vendas externas da empresa. Os outros 50% foram exportados para outros países da América do Sul
para a Américas Central e do Norte. Os menores importadores são Europa, áfrica e Oriente Médio.

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