São Paulo, 18 (AE) - A negociação entre a Ford e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, para acomodar o pessoal excedente na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), deverá ser mais difícil do que a empresa e a entidade esperavam. É que ainda restam 1.543 funcionários excedentes ligados à produção.
Dos 2,8 mil demitidos desde dezembro, apenas 1.257 aceitaram o desligamento ou aderiram ao programa de demissões voluntárias (PDV), já encerrado. A montadora tinha 6 mil empregados em dezembro e pretendia começar o ano com 41% menos.
Segundo o gerente de Recursos Humanos da Ford, Valter Trigo, hoje houve uma reunião com integrantes da comissão de fábrica apenas para a troca de informações. A verdadeira negociação começará na segunda-feira, quando a montadora retomará a produção, após uma semana de folga no carnaval.
Mas a Ford não pretende apresentar nenhuma saída já na próxima reunião. "Vamos primeiro ouvir as propostas do sindicato", afirmou Trigo, que prevê dificuldades por causa do número alto de excedentes.
As demissões foram suspensas depois de um mês de resistência dos metalúrgicos. Os ex-demitidos continuarão em suas casas, recebendo salários, enquanto durar essa segunda fase de negociação. O sindicato vai propor a volta deles para o trabalho, mas em sistema de revezamento com aqueles que permanecem no quadro regular da empresa.
Trigo informou que, além de tratar do excedente de pessoal, as negociações devem apontar para projetos que tornem a fábrica do ABC mais competitiva. Neste mês, a Ford decidiu produzir apenas 2 mil veículos no ABC, para uma capacidade instalada de quase 25 mil, por causa da retração do mercado de veículos.
Na fábrica do Ipiranga, em São Paulo, que produz caminhões, o programa de demissões voluntárias ficará aberto até segunda-feira e a primeira negociação será na terça feira. A unidade tem 1,8 mil empregados, 702 dos quais considerados excendentes.

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