Exames previnem escoliose em crianças
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de agosto de 1998
Francelino França 
O Grupo de Estudos de Desvios da Coluna, recentemente criado em Londrina, promoveu ontem no Shopping Catuaí uma tarde de Avaliação Fisioterápica para Diagnóstico Precoce em Escoliose. O evento teve como objetivo detectar problemas de desvio de coluna em crianças de 6 a 9 anos. A fisioterapeuta Débora Prado Vieira, responsável pela avaliação, considera a escoliose o problema mais grave dentre os desvios de coluna.
A escoliose é um desvio da coluna vertebral para o lado. Pode ser observada quando a criança anda inclinada para um lado, informa a fisioterapeuta. Ela considera que as avaliações realizadas no domingo serviram apenas como amostragem para um projeto maior a ser desenvolvido pelo Centro de Reeducação Postural de Londrina. Na amostragem, 50% das crianças avaliadas apresentavam o problema.
A fisioterapeuta adverte que a escoliose pode ter origem congênita ou se desenvolver durante o crescimento da criança. Dos 6 aos 9 anos começam a se instalar os primeiros sinais de alteração de desequilíbrio do corpo. Na verdade, é por intermédio de uma combinação de sinais que fazemos o diagnóstico da doença, explica, residindo aí a importância da avaliação precoce.
No exame para detectar a escoliose é verificado a existência de saliências ósseas ou se há o encurtamento no tamanho das pernas. Observa-se também o apoio dos pés, a rotação da bacia, o posicionamento da cabeça e altura dos ombros.
Um exemplo de como a escoliose pode se desenvolver numa criança, de acordo com Débora Prado, é quando ela apresenta pés chatos. Nesse caso, pode modificar todo seu equilíbrio, com o deslocamento da bacia para um lado do corpo. A coluna irá acompanhar esse desvio. Um problema no pé se reflete na coluna, adverte.
Uma criança portadora de estrabismo, por exemplo, pode ficar com uma alteração na posição da cabeça e a coluna acompanha esse deslocamento. Débora Vieira alerta: a gravidade não está na causa, mas na evolução do problema.
Além da combinação dos sinais que podem levar à escoliose (ver quadro), há também os vícios posturais, determinantes para o surgimento da patologia. Dentre eles, a fisioterapeuta destaca as crianças que costumeiramente sentam com as pernas em forma de W, vício que muda a posição da bacia. Outros vícios posturais que podem acarretar a escoliose: assistir à televisão displicentemente, com o corpo largado; andar com mochilas pesadas, carregadas apenas de um lado; e estudar em carteiras universitárias, de um braço só.
Quando a mãe percebe alguns desses sinais no filho ou reconhece alguns vícios posturais, é preciso levá-lo a um fisioterapeuta, para que ao entrar no estirão de crescimento, ela não cresça de forma desordenada, afirma. Segundo Débora Vieira, esse é um problema recorrente nos consultórios fisioterápicos, apesar da inexistência de estatísticas. O Grupo de Estudos de Desvios da Coluna, no qual Débora Vieira é integrante, está preparando um projeto de prevenção à doença nas escolas.


