Curitiba- Todo final de ano as academias de ginástica recebem um reforço em suas matrículas, engrossadas por aqueles que querem perder alguns quilos ou definir os músculos para aparecer melhor na temporada de verão. Mas se a ordem estética manda correr, fazer musculação, nadar, reforçar o ritmo das atividades, o bem-estar exige que, primeiro, conheça-se os limites do organismo, de modo a evitar problemas graves para a saúde e até mesmo a morte súbita.
Os chamados ''atletas de final de semana'' são os mais suscetíveis. ''Os exames são necessários principalmente para indivíduos sedentários, com mais de 40 anos, que não estejam fazendo atividade física e resolvam fazer ou qualquer pessoa que pretenda se tornar um esportista'', adverte o médico Arnaldo Laffitte Stier Júnior, da equipe do Instituto de Neurologia e Cardiologia de Curitiba. Isso não significa que esportistas profissionais estejam fora de riscos. ''Muitas pessoas que realizam exercícios físicos por tempo prolongado podem estar correndo risco de morte pelo fato de não conhecerem os limites do seu organismo'', completa.
Por isso, a recomendação é geral. Atletas amadores e profissionais devem se submeter a uma rigorosa avaliação clínica cardiológica antes de iniciar uma atividade física. O médico avaliará as condições físicas e histórico da pessoa e, se necessário, solicitará exames complementares, como avaliação cardiovascular, teste de esforço, exames laboratoriais, entre outros.
O objetivo é evitar que sejam vítimas da morte súbita. Ele admite que a probabilidade de se ter morte súbita é pequena. Na faixa etária abaixo de 35 anos, a ocorrência é de 0,77 óbitos por 100 mil atletas homens e de 0,13 mortes para 100 mil atletas mulheres. Na meia-idade o índice é um só para os dois sexos: de seis óbitos para 100 mil atletas.
Membro do Departamento de Ergometria e Reabilitação Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia, ele destaca que o mais importante, com a avaliação médica prévia, é a possibilidade de diagnosticar determinadas doenças assintomáticas para as quais determinados exercícios físicos podem ser prejudiciais ou contra-indicados.
Estudos feitos pelo Serviço de Cardiologia do Esporte do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, de São Paulo, com 4 mil atletas amadores avaliados durante os últimos 25 anos, concluiu que, deste universo, 8% devem se afastar da atividade esportiva. Ou seja, uma em cada 13 pessoas corre riscos de apresentar sérias doenças cardíacas e ser vítima da morte súbita, por não respeitar os limites do seu organismo. A pesquisa mostrou, ainda, que mesmo entre 80% dos atletas profissionais estudados a avaliação cardiológica só era feita nos preparativos para a realização de um esporte competitivo.
Segundo Stier Júnior, com a noção exata de indicação para determinado exercício físico, além de correr menos riscos, a pessoa obterá uma série de benefícios à qualidade de vida. Um dos principais, é evitar o desenvolvimento de doenças, como a hipertensão, osteoroporose, doenças coronarianas e doenças degenerativas como diabetes mellitus não-insulino dependente. A atividade esportiva também traz benefícios para pessoas da terceira idade, contribuindo para a redução no número de quedas, melhora do estado de humor, e alívio dos sintomas de depressão e ansiedade, entre outros.

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