Apesar de ainda assustar os usuários do sistema de saúde, a informática na medicina estabelece novas relações entre médicos e pacientes e promete agilizar o atendimento emergencial e ajudar na prevenção de doenças, principalmente as do coração. As últimas novidades do segmento são equipamentos que permitem a realização de eletrocardiogramas por telefone e a visualização de cateterismo pela Internet, através de computadores ou celulares. Novidades como estas estão sendo apresentadas na Infohealth, 1 Jornada de Informática Médica de Londrina, que começou ontem no Hotel Sumatra (Área Central).
Os recursos da Telemedicina serão apresentados durante a jornada pelo cardiologista Antônio Nechar, coordenador do grupo que desenvolve os equipamentos em Londrina. Destacando tecnologias como o Cardio Bip, Nechar o descreve como um grande avanço na prevenção de situações emergenciais como infartos.
''O Cardio Bip é um sistema de monitoramento cardiológico que pode ser feito onde o paciente estiver. Basta ter um telefone'', explica Nechar. O procedimento para um exame é simples. ''O cliente liga para nosso atendimento, passa algumas informações e depois encosta o aparelho cedido por nós no peito. Com 40 segundos de transmissão de um som emitido pelo Cardio Bip, elaboramos um eletro que estará disponível na Internet para o paciente e para o médico em no máximo cinco minutos'', explica. No caso de uma emergência, a Tel Cor, empresa que gerencia o serviço, recomenda o encaminhamento ao hospital ou aciona o médico do cliente.
O recurso disponibilizado pela Tel Cor tem tecnologia totalmente nacional e, segundo Nechar, é utilizado por várias empresas da região para o controle da saúde dos funcionários. O preço inicial do serviço é de R$ 350,00 por 40 teleconsultas. ''O ganho com tempo é gigantesco, o que é essencial em casos de infarto'', destaca.
A novidade despertou desconfiança entre algumas pessoas consultadas pela reportagem da Folha. ''Eu confiaria mais se pudesse conversar com o médico'', disse o porteiro José Sandoval Coronado. ''Nunca faria uma coisa desse tipo. Acho que está muito sujeita a erros'', afirmou a estudante Simone Cristina Barbosa.
Nechar, no entanto, tranquiliza os desconfiados. ''Sistemas de telemedicina nunca vão substituir a consulta médica. São instrumentos que vão auxiliar na prevenção, trazendo rapidez no diagnóstico de falhas cardíacas. Por outro lado, a parte técnica é idêntica ao procedimento hospitalar'', garante. ''É um recurso que faz com que quem viaje seja a informação, não o paciente.''
Porém o cardiologista não descarta a possibilidade de que pequenas intervenções como o controle do funcionamento de um marcapasso possa ser feito a distância, em um futuro próximo. ''Desconheço pesquisas nesse sentido. Mas acredito que seja perfeitamente possível que a telemedicina possa, em breve, fazer uso da telemetria para regular o funcionamento de um marcapasso via Internet, por exemplo'', vislumbra.

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