Exames de próstata não têm unanimidade entre médicos
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de outubro de 2009
Marcela Rocha Mendes<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - A recomendação geral de exames para diagnosticar o câncer de próstata em homens a partir de 40 anos não é uma unanimidade entre os médicos. Segundo o proctologista Murilo Luz, da Mcgill University, em Montreal, no Canadá, lá, o protocolo para diagnóstico da doença tem sido o diálogo com o paciente que pode ou não optar pela investigação através dos exames de toque e de sangue. Ele participa do Congresso Brasileiro de Cancerologia que termina hoje em Curitiba.
É importante essa conversa com o paciente porque ele precisa saber que depois do conhecimento da doença haverá muitas consequências, como cirurgia e quimioterapia. Existem alguns casos (cerca de 15 a 20%) em que é indicado o acompanhamento porque o câncer pode nunca progredir. Alguns vão preferir fazer o tratamento mesmo assim. Mas isso tem que ser discutido apenas com eles, afirma. Luz acredita que é sempre melhor descobrir, mas que essa é uma decisão que só o paciente pode tomar.
Essa tendência é comum no Canadá e também nos Estados Unidos, mas, na opinião do médico, pode não ser o melhor caminho para os brasileiros. Por questões de saúde pública, talvez a melhor opção por aqui seja a investigação para todo mundo e discutir depois o que pode ser feito. É a conduta do Ministério da Saúde. E, para a situação do momento no Brasil, é uma estratégia razoável, argumenta.
No Brasil, o câncer de próstata é a segunda maior causa de morte entre os homens. No Canadá passou a ser a terceira. A maior parte dos tumores não é genético e não existem evidências de que seu aparecimento possa estar relacionado a outros fatores como alimentação, tabagismo ou hábitos de vida.
De acordo com Luz, quando os primeiros sintomas como retenção urinária, dor ao urinar, dor óssea e emagrecimento aparecem, pode significar que a doença já esteja avançada. O ideal é fazer diagnóstico antes do aparecimento de qualquer sintoma.
Quanto à prevenção, existe uma medicação hormonal que pode reduzir o risco de tumores na próstata. Ele é prescrito, em geral, para aqueles pacientes que tiveram o exame de PSA alterado, mas ainda não têm diagnóstico de câncer. Pode ser uma arma no combate à doença, no entanto, Luz enfatiza a importância de discutir essa medida com um médico especialista. Já os exames podem ser feitos diretamente em unidades de saúde pública.


