Exames confirmam morte por febre amarela em Maringá
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou ontem que a morte do empresário Almir Rodrigues da Cunha, 47 anos, ocorrida em Maringá no último dia 8, foi mesmo ocasionada por febre amarela. Apesar disso, o secretário Gilberto Martin declarou que não existe risco de uma epidemia da doença no Paraná, principalmente porque Cunha foi contaminado fora do Estado. Ele fez também um apelo para que procurem os postos de saúde para serem vacinadas contra febre amarela apenas as pessoas que não tomaram a dose única da vacina nos últimos 10 anos e que vão viajar para áreas de risco.
De acordo com a Sesa, Cunha foi contaminado em Caldas Novas (GO), município onde esteve entre 20 de dezembro e 1º de janeiro, passando as festas de fim de ano com familiares. No último dia 6, ele foi internado no Hospital Santa Rita, em Maringá, onde morava, morrendo dois dias depois. Como ele apresentava sintomas de febre amarela, foram colhidas amostras de seu sangue para comprovar a causa da morte. Exames laboratoriais realizados no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, cujos laudos foram enviados ontem para a Sesa, confirmaram que o empresário foi vítima da doença.
Para Martin, a comprovação não é motivo para pânico em nenhum ponto do Paraná. ''Trata-se de um caso importado, que não é autócne (adquirido no próprio Estado)'', diz.
O secretário afirma também que, após o surgimento da suspeita de morte por febre amarela em Maringá, todas as medidas de prevenção para evitar um possível avanço da doença foram tomadas no município. Martin reforça ainda que todos os casos suspeitos notificados no Brasil nas últimas semanas são de febre amarela silvestre, com as contaminações ocorrendo em regiões de matas ou florestas. ''Não temos casos de febre amarela urbana desde 1942'', afirmou.
Além disso, Martin afirma que Maringá possui um dos maiores índices de habitantes vacinados contra a doença no Paraná. ''A cobertura vacinal no município chega a 98%. Em todo o Estado, esse índice é de 71%'', explica.
Assim, o secretário não vê motivos para uma correria desenfreada aos postos de saúde para vacinação. ''Faço um apelo para que as pessoas que já receberam a vacina nos últimos 10 anos não procurem os postos de vacinação. Quem já está vacinado, não vai se imunizar mais do que está imunizado. Além disso, coloca sua saúde em risco, podendo sofrer sintomas adversos, e começa a comprometer a oferta de vacina para quem precisa'', justifica.
Martin declara ainda que em algumas regiões do Estado, especialmente na região de Curitiba, a necessidade da vacina é ainda menor. ''Curitiba é uma das cidades do Brasil com um dos mais baixos índices de risco de febre amarela. Só precisa se vacinar quem vai viajar para regiões de risco'', afirma.
Ainda sobre a vacinação, o secretário disse que o Paraná acabou de receber um lote de mais de 100 mil doses da vacinas. ''Não faltará vacinas caso sigamos o fluxo normal de imunização, ou seja, que seja vacinado quem realmente precisa'', explica.
A respeito de casos de morte de macacos, ocorridas em Cascavel, o secretário reiterou que faz parte da vigilância rotineira o monitoramento de óbitos dos primatas e que isto continuará ocorrendo e que não há motivo para preocupação com estes fatos. ''Até agora, não foi confirmado que eles foram vítimas de febre amarela. Mas não estamos relutando em tomar medidas de precaução'', disse.
Com a confirmação de mais duas mortes em Goiás, sobe para seis o número de doentes por febre amarela - com cinco mortes - no País neste mês de janeiro. Em São Paulo, uma mulher que teve diagnóstico de febre amarela confirmado permanece internada na unidade Morumbi do Hospital São Luiz. Segundo boletim médico, o quadro evolui bem, mas não há previsão de alta médica. (Com Folhapress)


