São Paulo - Nos últimos anos a medicina viu a área de diagnóstico por imagem evoluir e ser aprimorada a ponto de ser possível ''enxergar'' com detalhes o corpo humano por dentro. A nova revolução vem dos exames de imagem molecular, em que o organismo pode ser ''visto'' na escala de moléculas. Uma das promessas, anunciada pela Bayer Schering Pharma (BSP), na última semana, em São Paulo, é o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas. Hoje, isso já é realidade no diagnóstico de tumores não detectados por outros exames.
A imagem molecular é um exame feito com o uso de rastreadores que se ligam a determinados tipos de células que se quer localizar, denominadas receptoras. A captação das imagens é feita com a tecnologia de um tipo de tomografia conhecida como PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons), que capta sinais do rastreador para a reconstrução das imagens em um computador.
No caso de um tumor, por exemplo, é usado um rastreador chamado fluorodeoxiglicose F-18 (F18-FDG). Dentro do organismo, essa substância se comporta como uma glicose, se acumulando nas células com exigências nutricionais altas, como é o caso das tumorais, e permitindo a localização exata da lesão.
Já a pesquisa anunciada pela empresa farmacêutica é para o desenvolvimento de um rastreador que identifique uma proteína chamada beta-amilóide, presente no cérebro de quem tem a doença de Alzheimer. ''E é possível localizar essa proteína já em estágios iniciais da doença'', aponta Ludger Dinkelborg, chefe de pesquisa em diagnósticos por imagem da BSP em Berlim.
Apesar da doença de Alzheimer não ter cura, o diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento com medicação e retardar a evolução da doença, que acomete indivíduos a partir dos 60 anos de idade. Hoje, segundo o neurocirurgião Breno Ferraz, de Londrina, o diagnóstico da doença é clínico, feito principalmente com a realização de testes neuropsicológicos periódicos, em que se avalia a evolução do mal e se os lapsos de memória estão mesmo relacionados com o Alzheimer. Mas, o único diagnóstico definitivo, em que realmente se comprova a presença da proteína beta-amilóide no cérebro, só pode ser feito após o óbito do paciente pelo exame de autópsia.
No caso dos tumores, o exame de imagem molecular permite ao médico distinguir melhor uma lesão tumoral de uma inflamação, que têm tratamentos bem diferentes. ''Ainda estamos no estágio inicial de pesquisa em Alzheimer, mas há muitas outras oportunidades. A imagem molecular pode ajudar a melhorar o rastreamento de tumores em diferentes órgãos, casos de difíceis diagnósticos, como o de próstata em estágio inicial ou o de mama, que cresce por 16 anos antes que seja possível ter imagens dele (com exames tradicionais). Sabemos que o câncer de próstata pode ser bem agressivo, mas se for detectado precocemente é possível melhorar o tratamento desse paciente, até porque hoje é possível oferecer a terapia alvo, que age na molécula específica'', ressalta Dinkelborg.
A maior dificuldade do exame hoje, além do acesso (são apenas 12 PET no Brasil, segundo a Bayer), é o custo, que pode girar em torno de R$ 3 mil e não é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por planos de saúde.

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