Exame preventivo ganha tecnologia e mais qualidade
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domingo, 04 de abril de 2010
Chiara Papali<br>Reportagem Loca 
Um novo método de fazer o exame preventivo ginecológico, ou papanicolau, promete maior segurança para as mulheres. A diferença, segundo o médico anatomocitopatologista Antonio Camata, de Londrina, é que a nova tecnologia possibilita menos manuseio, e, com isso, menos erro. O exame é feito periodicamente nas mulheres para detectar a presença do HPV (Human Papiloma Virus), responsável pelo câncer de colo de útero.
O exame tradicional, explica, é feito com o material coletado no consultório ginecológico. ''O médico faz a raspagem no colo uterino, coloca o material na lamina, fixa, coloca em um tubo e manda para o laboratório'', explica. Mas, todas essas fases, segundo ele, levam a problemas que podem interferir no resultado final do exame.
Um dos problemas que pode acontecer é a fixação inadequada, com a demora em colocar um spray, ressecando a amostra. Outro é fazer uma coleta muita espessa, que resulta em células em cima de outras, o que impossibilita o exame. Processos inflamatórios, sangramento e excesso de muco são os outros fatores que podem interferir na leitura. ''Tudo isso pode resultar em uma quantidade grande de exames negativos, que, na verdade, seriam positivos. Outro fator é o transtorno e o gasto de ter que repetir o exame''.
Neste novo método, chamado ThinPrep Pap test, não muda a forma de coleta, mas de produção da lâmina, que é feita sem interferência humana, através de um processador eletrônico. Tudo isso para eliminar os riscos de problemas já citados, como, por exemplo, o ressecamento da amostra. ''As células cervicais são imersas em um líquido conservante antes do processamento da amostra''.
Já na fase de processamento, explica Camata, um software faz com que o material não fique sobreposto, mas com as células uma ao lado da outra. Um filtro retém grande parte das hemáceas e de elementos inflamatórios, garantindo sua qualidade. E, a amostra é colocada em líquido preservante mucolítico, que dissolve o muco. ''A citologia é mais fácil de ler, aumentando as chances de um melhor diagnóstico. E, se por algum motivo, o exame tiver que ser repetido, é possível fazer outra lâmina porque o material fica guardado'', ressalta.
Camata fez um comparação dos dois métodos - mil exames de cada - e no tradicional encontrou 43 com citologia alterada, o que, na prática significa presença de HPV ou suspeita que deve ser melhor investigada. Na nova metodologia, o número subiu para 73. ''O 'pulo do gato' é que, com esse método, são detectadas as lesões iniciais, quando se deve atuar''.
Desenvolvido na última década, o aparelho, segundo Camata, ainda é pouco utilizado no Brasil. Em Londrina, aponta ele, este é o primeiro equipamento, e o segundo no Estado.
Outra forma de proteção contra o HPV são duas vacinas, que não têm cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Uma protege contra os tipos 16 e 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer. A outra ainda protege contra os sorotipos 6 e 11, causadores de verrugas genitais. A imunização é recomendada para mulheres de nove a 30 anos de idade, antes do início da vida sexual.


