O mal de Alzheimer e outros problemas ligados à perda da memória podem ser prevenidos com uma tomografia computadorizada do cérebro, anunciaram cientistas americanos com base em estudo publicado nesta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

O médico Mony de Leon, da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York, pôde detectar modificações do metabolismo de glicídios em algumas partes do cérebro das pessoas que participaram desse estudo vários anos antes de alguma manifestação clínica de problemas da memória.

Para o estudo, o cientista e sua equipe realizaram uma tomografia PET - por emissão de posítron, antipartícula de elétron - sobre 48 pessoas entre 60 e 80 anos. No começo do estudo, estas pessoas eram consideradas sadias segundo os exames costumeiros. Mas a PET permitiu detectar uma redução de metabolismo de glicídio em algumas zonas do cérebro de 12 participantes do estudo. Três anos depois, 11 participantes haviam desenvolvido problemas de memória e o 12º sofria do mal de Alzheimer. Pelo contrário, aqueles nos quais os resultados do PET era normal não haviam desenvolvido nenhum problema.

O Brasil tem 1,2 milhão de pacientes com mal de Alzheimer, doença neurológica crônica que leva à demência. Embora o número de doentes seja significativo, não há no sistema público de saúde uma política voltada para essa população. O governo não distribui os remédios que ajudam a evitar o avanço da doença e, salvo exceções, não há na rede pública serviço de acompanhamento dos doentes. O problema poderá ganhar dimensões maiores nos próximos anos, pois a população de risco para a doença, os idosos, está crescendo.

''Só faz tratamento quem pode pagar planos de saúde ou serviços particulares'', diz Vera Caovilla, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, Doenças Similares e Idosos de Alta Dependência (Abraz). A associação já fez pedido formal para inclusão das drogas disponíveis na lista de medicamentos específicos, distribuídos pelo Ministério da Saúde. Até agora, não houve resposta. O problema não pára na falta de estrutura. Mesmo entre médicos ainda há desconhecimento sobre a doença.

Hoje, Dia Internacional da Doença de Alzheimer, a Abraz promove eventos em todo o País. (Com A.E.)

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