Londrina

Marcos BorgesPalavra de chefeArlindo Barbosa: ‘Muitos sabem um mínimo de sinalização e conduzem apenas regularmente um automóvel. Infelizmente, passam nos testes’‘‘Infelizmente, as regras para o exame da carteira de habilitação são antigas, ultrapassadas e pouco rigorosas. Elas não são suficientes para avaliar se a pessoa será um bom ou mau motorista; só conseguem, no momento da realização do teste, medir o equilíbrio emocional e a educação para o trânsito do candidato. Se ele será um motorista completo ou um tocador de carro, somente o tempo dirá.’’
Essa é a análise do chefe da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Londrina, Arlindo Barbosa.
Segundo ele, uma das mudanças que o novo Código Brasileiro de Trânsito (CBT), em discussão no Congresso Nacional, deveria trazer seria o aumento do rigor no exame para a habilitação dos futuros motoristas. ‘‘Hoje, o candidato pode errar até 12 das 40 questões do exame teórico. Isto é quase 30%, uma possibilidade de erro exagerada’’, comenta Barbosa. ‘‘A maioria dos que erram neste exame é formada por pessoas que aprenderam a dirigir com os pais e familiares. O novo CBT deveria tornar obrigatórias as aulas em auto-escolas, que são uma boa oportunidade para o aprendizado da legislação e dos sinais de trânsito.’’
O atual Código de Trânsito está em vigor desde 1966. De acordo com o chefe da Ciretran, por falta de rigor nos exames hoje em dia têm sido aprovados muitos candidatos que não estão suficientemente preparados para fazer bom uso da carteira de habilitação. ‘‘Eles sabem um mínimo de sinalização e conduzem apenas regularmente um automóvel. Mas não têm a essência para serem bons motoristas e, infelizmente, passam nos testes’’, afirma Barbosa.
Cerca de metade dos candidatos que fazem diariamente os exames na Ciretran de Londrina é composta por alunos de auto-escolas. Arlindo Barbosa avalia que o índice de reprovação entre eles é um pouco menor do que entre os chamados ‘‘candidatos particulares’’, que ‘‘pensam que aprenderam a dirigir sozinhos, que sabem tudo, mas estão cheios de vícios no volante e, depois, acabam sendo os responsáveis por grande parte dos acidentes’’.
O novo CBT, cujo texto foi discutido exaustivamente por autoridades de trânsito em Brasília nos últimos meses e deve ser aprovado em breve, pretende aumentar o rigor na hora do exame de habilitação. Na primeira fase, além dos exames médicos e de legislação de trânsito - o teórico -, os candidatos passaram por um treinamento sobre noções de primeiros socorros.
Depois de aprovada no exame de direção - o prático -, a pessoa receberá uma licença provisória para dirigir por um ano. Neste período, ela não poderá cometer nenhuma falta grave, ou ser reincidente em falta média. Caso contrário, terá que reiniciar todo o processo de habilitação.
O candidato que não cometeu estas faltas durante um ano receberá a carteira definitiva na categoria B; e poderá dirigir carros cuja capacidade não ultrapasse oito lugares. Para conduzir ônibus e caminhões - categorias D e E -, o motorista precisará ter 21 anos de idade, estar habilitado há pelo menos dois anos na categoria B e não ter cometido infrações no último ano.
Ele terá ainda treinamento de prática de veículo em situação de risco e necessitará ser aprovado em cursos especializados em direção defensiva e no tipo de veículo que pretende dirigir. A nova carteira de habilitação trará, além da categoria em que o motorista está habilitado - como já ocorre hoje -, o tipo sanguíneo e fator RH, e fotografia do motorista. Segundo informações de Brasília, o novo Código Brasileiro de Trânsito deve entrar em vigor ainda neste ano.

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