Exame mostra deficiência do ensino médio no Brasil
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quinta-feira, 17 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Depois de passar pelo menos 11 anos na escola, o estudante brasileiro que conclui o ensino médio (antigo 2º grau) é incapaz de usar a maior parte do que aprendeu em sala de aula para resolver problemas no seu dia-a-dia. Isso significa enfrentar sérias dificuldades na hora de interpretar informações, trabalhar com conceitos ou reunir dados para argumentar. É o que revela o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no qual 115,5 mil avaliados ficaram com média 4 na prova de conhecimentos gerais e 4,5 na de redação, resultados considerados regulares.
Venho dizendo desde 95 que nosso ensino médio é fraco, afirmou o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que espera reverter a situação com a reforma curricular a partir de 99. Idealizado pelo Ministério da Educação (MEC) para servir de instrumento nos processos de seleção alternativos ao vestibular, o Enem é voluntário. Por causa das distorções entre o número de inscritos nos Estados, a amostra não é representativa do 1,5 milhão de brasileiros em condições de concluir o ensino médio em 98.
Mas, como o próprio ministro destacou, os estudantes que se submeteram a prova constituem um grupo com maiores condições do que o total do País, pois são de Estados com desempenho escolar histórico acima da média nacional. Dos 115.575 avaliados, por exemplo, 65.156 eram de Minas Gerais e do Paraná, onde foram registrados os melhores resultados.


