Curitiba - Um exame que dispensa a necessidade de biópsia para confirmação de diagnóstico de câncer agora está disponível em um laboratório de Curitiba. A Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET), até então, só era realizada em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O exame se baseia no metabolismo das células, identificando, por método digital, se o tumor é maligno ou não. O único porém é que, por enquanto, só tem acesso ao exame quem puder desembolsar R$ 1,8 mil.
  O médico especialista em Medicina Nuclear, João Vítola, da Quanta Diagnóstico Nuclear –primeira clínica do Sul do País a fazer o PET–, disse que as negociações com empresas de planos de saúde e com o governo do Paraná já estão adiantadas para que o exame seja disponibilizado pelos convênios e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, não há previsão de quando isso irá se concretizar.
  O PET, explicou Vítola, tem três aplicações básicas. Uma delas é identificar em um paciente que tem o diagnóstico de câncer, se a doença está se disseminando. Nesse caso, a precisão do exame é importante, pois pode orientar o médico a mudar a conduta de tratamento. Serve, também, para pacientes que já passaram por tratamento e precisam de avaliação para descartar possível reincidência, ou, ainda, para monitorar a eficácia da quimioterapia, durante o tratamento.
  Um exemplo da aplicação, citou o médico, é no caso de um raio x de pulmão apontar uma lesão no órgão. Em vez de fazer a biópsia, coletando o material com uma agulha, é feito o exame para saber se o tumor é ou não maligno.
  ‘‘As células cancerígenas crescem rápido e precisam de energia para isso. Então nós damos glicose, marcada com material radioativo, e fazemos a aquisição de imagem (com equipamento especial) para saber onde esse material está se concentrando’’, explicou o médico. Com o PET, é possível fazer o mapeamento do corpo em uma visão espacial tridimensional.
  Vítola destaca que o exame não substitui as técnicas de ressonância magnética, tomografia e ecografia. Esses procedimentos, lembrou ele, servem para detectar a anatomia do tumor ou da lesão. O PET complementa o diagnóstico, apontando as alterações funcionais das células lesionadas.
  De acordo com o médico, a tecnologia é cara por causa do custo do material radioativo –flúor desóxi glicose (FDG)– e da logística de transporte, que precisa ser ágil, pois a cada 110 minutos a substância, produzida apenas em São Paulo, perde metade de suas propriedades.
  O exame pode ser utilizado no diagnóstico de doenças do coração e cérebro, por meio da análise do metabolismo das células.

mockup