Não adianta: o consenso, tanto da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), quanto da Associação Americana de Urologia, preconiza que para o diagnóstico precoce do câncer de próstata são necessários dois exames, o de sangue, que faz a dosagem de antígeno prostático específico (PSA, na sigla em inglês), e o do toque retal. A recomendação é que, a partir dos 45 anos de idade, o homem faça os exames anualmente. Naqueles que têm caso na família a idade de início diminui para 40.
''A orientação é sempre fazer o exame de toque e o PSA. Isso é consenso da sociedade brasileira e da americana de urologia. Existem casos quando o PSA dá muito baixo, abaixo de 0,5, em que não se faz o exame de toque. Mas, isso não é consenso, pois em 20% dos casos de câncer o PSA aparece normal'', alerta o urologista Juliano Plastina, de Maringá. Segundo informações da SBU, a doença se torna perigosa por não apresentar sintomas em sua fase inicial, justamente quando pode ser curada.
O urologista Miguel Alves Pereira Junior, de Londrina, ressalta que se o paciente faz apenas o exame PSA, a efetividade é de 80%, número semelhante a quem faz apenas o de toque. É a combinação dos dois que dá uma garantia próxima a 100% de um diagnóstico precoce. O exame de toque retal é necessário, segundo Plastina, ''porque a próstata é um órgão localizado profundamente na pelve masculina, e não pode ser palpado através da superfície do abdômen, como acontece com outros órgãos (fígado, bexiga, baço)''.
''Como o câncer de próstata não apresenta sintomas no estágio inicial, ele precisa ser procurado, como o de mama, nas mulheres'', ressalta Pereira Junior. Segundo dados da SBU, o câncer de próstata é o mais frequente nos homens e o segundo maior causador de mortes no Brasil.
Outro dado importante, segundo Pereira Junior, é que a taxa de cura, chega a ficar acima de 90% quando o câncer é diagnosticado precocemente, o que significa que o tumor ainda está localizado na próstata e pode ser retirado através de cirurgia, ou tratado com radioterapia.
O grande problema é que o exame de toque retal ainda é alvo de preconceito entre os homens. Segundo Pereira Junior, os pacientes sempre chegam questionando ''um novo exame'' que substituiria o de toque. ''O exame de PSA, que busca uma proteína produzida somente na próstata, surgiu na década de 80 e melhorou muito o diagnóstico do câncer, mas até hoje há homens que chegam ao consultório querendo saber desse exame 'novo', que substituiria o toque. O preconceito ainda existe, mas tem diminuído e isso é resultado de educação'', aponta. ''Nos últimos anos vemos uma maior conscientização da população sobre os cuidados e exames preventivos contra o câncer. Com isso, a população masculina foi perdendo o medo e aceitando mais este tipo de exame, mas ainda existem alguns pacientes receosos, principalmente entre os mais velhos'', afirma Plastina.
Fatores genéticos, idade, obesidade, e estilo de vida são alguns dos fatores que podem levar ao câncer de próstata, que não tem ainda na medicina uma causa definida. Em estágio avançado, o câncer tem sintomas urinários, como dificuldade para esvaziar a bexiga e diminuição da força e do calibre do jato de urina. ''Mas são sintomas que também podem ser da idade e é preciso investigar'', ressalta Pereira Junior.

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