Exame de Espirometria: direito do cidadão, dever da saúde pública
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Por Maria Christina Machado (*) 
São Paulo - Apesar de pouco conhecido, o exame de espirometria é essencial para avaliar a saúde dos pulmões, principalmente das pessoas acima dos 40 anos O teste é simples, rápido e não invasivo O paciente inspira e expira o ar em um aparelho, que faz a leitura da velocidade e do volume de ar que é expirado
Com o resultado desse exame e outras informações do paciente, o médico é capaz de detectar e avaliar a gravidade de diversas doenças, como asma, fibrose pulmonar, fibrose cística, sarcoidose e, principalmente, a doença pulmonar obstrutiva crônica, mais conhecida pela sigla DPOC, que atinge especialmente pessoas acima dos 40 anos e tem como causa principal o tabagismo (90% dos casos)
Entretanto, o Brasil ainda enfrenta alguns obstáculos nos cuidados com a saúde pulmonar Segundo o Datasus, a região Sudeste tem cerca de 400 médicos pneumologistas que atendem pelo Sistema Único de Saúde Já a região Norte possui apenas 45 Estes dados mostram que há uma demanda reprimida Além disso, o número de locais onde este exame é disponibilizado no SUS é insuficiente
Adicionalmente, os Serviços Públicos de Saúde não dispõem de cargos para técnicos de espirometria nem espirômetros em número adequado Em recente pesquisa da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e do Datafolha, 83% das pessoas nunca passaram por consulta com o pneumologista Estima-se que atualmente a espera para realizar uma espirometria pelo SUS chegue a oito meses Por outro lado, apenas o exame, sem uma avaliação pneumológica especializada, não é suficiente
Recentemente, o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) revelou que a principal queixa dos brasileiros é enfrentar a fila para ser atendido em um serviço de saúde O estudo mostrou que, em todas as regiões do país, esse fator é o responsável pelas situações mais desagradáveis quando se precisa de atendimento médico
Podemos afirmar que é urgente buscar parcerias entre a iniciativa pública, privada e organizações não governamentais, para que todos juntos possam encontrar soluções e caminhos alternativos para melhorar a atenção à saúde pulmonar em nosso país É fato que as doenças pulmonares, na grande maioria dos casos, são diagnosticadas tardiamente e influenciam diretamente na qualidade de vida das pessoas Por isso, existe uma preocupação crescente dos especialistas em orientar a população sobre a necessidade de incluir o exame de espirometria no check-up anual Também é preciso aumentar o número de pneumologistas no serviço público de saúde e expandir os centros de excelência, hoje concentrados nas grandes capitais, para outras cidades
(*) Maria C Machado é pneumologista e coordenadora do Laboratório de Doença Pulmonar Avançada da Unifesp


